Processo de mediação entre famílias e encerrado com revolta: “Estão brincando com a vida dos nossos filhos”

O processo de mediação para um acordo entre as famílias das vítimas do incêndio no Ninho do Urubu e o Flamengo está encerrado. Foi o que garantiram parentes e membros da defensoria pública, ao fim da reunião desta quinta-feira, no Tribunal de Justiça do Rio. Os valores oferecidos pelo Rubro-Negro irritaram os familiares. É o caso de Marília de Barros Filho, mãe de Arthur Vinícius.

“A gente vem pra uma reunião e você acha que vai tentar alguma coisa e o que você resolve? Nem respeito por nós eles têm”, declarou. Mais cedo, o desembargador Cesar Cury já havia admitido a complexidade da mediação.

-“Atitude do Flamengo é uma falta de respeito com a gente, os pais. Foi passado que estão dando apoio, nenhum…Eles estão brincando com a vida dos nossos filhos, queria saber se não são pais, pelo que estão fazendo com a gente, a tortura que o Flamengo está fazendo conosco. Não definiu nada, estamos aqui como bobos, palhaços. Fomos desamparados por todos, não nos sentimos acolhidos por ninguém, principalmente pelo Flamengo. Eles não têm resposta para nós, familiares. Não foi falado nada ” lamentou Cristiano, pai do goleiro Christian, uma das dez vítimas fatais no incêndio no Ninho do Urubu.

Segundo o MP, o clube da Gávea ofereceu uma quantia entre R$ 300 E 400 mil reais, mas a defensoria sugeriu que os números chegassem aos R$ 2 milhões por família.

“É uma situação bastante difícil, muito complexa e sem precedentes. Chegar a uma conclusão é um trabalho difícil. O processo judicial tende a ser muito demorado e pode frustrar qualquer reparação para as famílias das vítimas e penalizar os demais participantes”, afirmou Cesar.

MPT pede bloqueio de bens

O Ministério Público do Trabalho (MPT) pediu o bloqueio e penhora dos bens do Flamengo. A medida, segundo nota do MPT, é para “garantir o pagamento de indenizações trabalhistas, a serem apuradas em ação principal futuramente ajuizada, de todos os envolvidos no incêndio que vitimou fatalmente dez jovens”. A ação está na 13ª Vara.

Na última quarta-feira, o Ministério Público e a Defensoria Pública do Rio de Janeiro pediram o bloqueio de R$ 57,5 milhões das contas clube e o fechamento imediato do Centro de Treinamento George Helal, o Ninho do Urubu, onde no dia 8 ocorreu o incêndio no alojamento dos atletas de base, que matou dez pessoas e feriu três.

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