Mantendo a tradição familiar: George e as raízes Bángbóṣé no Rio de Janeiro

Bàbáloriṣá George dá continuidade na casa de àṣẹ deixada por sua Bisavó.

Ìyá Lina, Bàbá George e família de àṣẹ

No Candomblé a tradição é algo respeitado por todos e, no caso da família Bángbóṣé, esse quesito ganha ainda mais proporção.

A religião de matriz africana chegou ao Brasil através dos escravos vindos de diversos lugares da África e, entre eles estava Bángbóṣé Obitiko, que deu início a implementação do sistema de Candomblé de Ketu que temos hoje em dia no Brasil. 

Sua família foi peça fundamental no crescimento do Candomblé em nosso país e, principalmente, no Mẹ́rìndínlógún (Jogo de búzios).

No Rio de Janeiro, o nome de Regina Bángbóṣé era o mais solicitado para jogos e resoluções de problemas com a ancestralidade, devido ao amplo conhecimento que possuía. Foi no meio desse movimento todo que o Bàbálorìṣá George D’Sàngó cresceu e hoje dá continuidade ao trabalho deixado por sua Bisavó, com o auxílio de sua mãe carnal Lina D’Òṣùmarè, como relata na entrevista abaixo.

Brazão Asé Iyamin

Qual seu nome, por favor?

– George Rômulo Pereira Silva

Como chegou até o Candomblé?

– Nasci no candomblé. Fui iniciado pela minha bisavó com 1 ano e 6 meses de idade. Estou na religião desde então.

Qual a raiz de seu Ile Axé?

– Somos descendentes de Bángbóṣé Obitiko e nosso Àṣẹ é de Ṣángò.

De que maneira busca seguir a tradição da família Bámgbóṣé e passar isso para seus filhos?

– Eu e minha mãe, Ìyá Lina D’ Òṣùmàrè, responsável pela casa, buscamos sempre respeitar e manter as tradições que minha bisavó nos deixou. Seguir seu modo de agir e, principalmente, seu comprometimento com Òrìṣà. Nossa descendência preza respeitosamente pelo laços sanguíneos. Dessa forma é naturalmente estabelecida uma hierarquia onde a mãe desempenha um papel fundamental na transmissão da tradição.

A escolha por fazer matemática na faculdade tem alguma relação com a religiosidade?

– Não. Apenas gosto e me interesso pela área da matemática.

Qual a importância dos números dentro da religião, no seu modo de ver?

– Toda. Os números são essenciais e fundamentais, como no caso dos Odus, por exemplo.

Como é dar continuidade no legado deixado por sua Bisavó, Ìyá Regina Bángbóṣé?

– Nossa família se dedica bastante e, apesar da grande responsabilidade, é muito bom. Minha bisavó e minha tia Irenea (Irmã carnal da minha bisavó) eram muito dedicadas e respeitosas, no que diz respeito ao culto de Òrìṣà. Procuramos seguir da mesma forma. Tanto aqui no Ile Aşé Iyamin. Quanto a família em Salvador, no Ile Aşé Odo Oba Obitiko.

Manter de pé o nome da família Bángbóṣé dentro do estado do Rio de Janeiro está sendo complicado? Qual a posição do George com relação ao assunto?

Sim. A luta é constante, mas precisamos resistir. Não iremos deixar de cultuar nossos ancestrais sagrados.

Você possui contato com Air José Bángbóṣé e qual sua relação com o mesmo, tendo em vista o pouco tempo que ambos possuem?

– Sim. Inclusive estive com ele em janeiro, nas festividades do Pilão de Prata, na Bahia. Temos uma boa relação. Apesar da distância, a família tenta estar unida.

Qual sua expectativa de candomblé para os próximos anos?

– Estamos passando por um momento difícil de intolerância e violência para com o povo de matriz africana, mas precisamos acreditar e lutar contra quem fere o nosso sagrado. Espero que nos próximos anos consigamos estar mais unidos e fortes.

Deixe um recado para o povo de matriz africana, por favor:

– O povo de candomblé precisa se unir. Não podemos perder o direito de cultuar nossos Deuses e sermos oprimidos de manifestar nossa fé e amor. Nossos ancestrais sofreram muito para hoje estarmos aqui.

Contato Bàbá Joaquim D’Ògún

(21) 96991-4004
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