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Justiça determina apreensão de dinheiro, joias e bens da mulher de Nem da Rocinha

A Justiça determinou a apreensão de dinheiro, joias e bens de Danúbia de Souza Rangel, mulher do traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha. A decisão é do dia 18 do mês passado. De acordo com advogados de Danúbia, a decisão foi cumprida, mas nada teria sido encontrado. O Ministério Público indicou endereços nos quais os mandados de busca e apreensão deveriam ser cumpridos. Conhecida como “Xerifa da Rocinha”, Danúbia está presa desde outubro de 2017.

No processo, Danúbia e sua irmã, Telma de Souza Rangel, são acusadas de lavagem de dinheiro. A denúncia contra elas, oferecida pelo Ministério Público, foi recebida pela Justiça no dia 31 de janeiro deste ano. Na ocasião, a mulher de Nem da Rocinha também teve a prisão preventiva decretada pela Justiça.

Desde dezembro do ano passado, Danúbia cumpre em regime semiaberto por uma condenação em outro processo e vinha pleiteando autorização para deixar o presídio para visitar a família, trabalhar ou estudar. O novo mandado de prisão impede que a mulher de Nem tenha permissão para sair da unidade prisional.
Em evento no presídio, em dezembro do ano passado, Danúbia se veste de Mamãe Noel
Em evento no presídio, em dezembro do ano passado, Danúbia se veste de Mamãe Noel Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

Salão de beleza para lavar dinheiro

De acordo com denúnia do Ministério Público estadual, Danúbia e Telma utilizavam um salão de beleza na favela da Rocinha para ocultar recursos provenientes do tráfico de drogas na comunidade. Segundo as investigações, ao cruzarem as informações sobre a movimentação bancária do salão, entre os anos de 2011 e 2016, os investigadores concluíram que a sociedade movimentou valores em montante setecentas vezes maior do que a receita líquida obtida no mesmo período.

Ainda segundo a denúncia do MP, Danúbia recebia R$ 30 mil por semana de Nem, preso em unidade federal de segurança máxima, e com o dinheiro ostentava uma vida de luxo com voos de helicóptero, passeios de barco, tratamentos estéticos e compra de joias. Ainda segundo a denúncia, as investigações demonstram que o salão de beleza não tinha empregados registrados e apesar de ser titular de conta corrente bancária, não havia pagamentos de títulos e boletos bancários, mas tão somente transferências bancárias entre Danubia, Telma e o salão de beleza.

Danúbia está presa desde outubro de 2017
Danúbia está presa desde outubro de 2017 Foto: Reprodução

Outra condenação

Em março de 2016, em outro processo, Danúbia foi condenada a 17 anos e quatro meses de prisão pelos crimes de associação para o tráfico e corrupção ativa. No processo, Danúbia foi acusada de auxiliar seu marido, Nem, a continuar comandando o tráfico da Rocinha após sua prisão. Procurada desde a condenação por policiais civis e militares, inclusive em outros estados, a mulher de Nem acabou presa na Ilha do Governador em outubro de 2017.