Os búzios sagrados e sua relação com o dinheiro do ser humano
Mẹ́rindilógún (Jogo de búzios)

Poucos se sabe sobre a origem dos búzios, mas a relação dele com o dinheiro que utilizamos, vai muito além do que nossa mente pode acompanhar.

Hoje visto apenas como utensílio de material divinatório, os kauris (búzios) já mataram muito a fome dos africanos, em séculos passados, assim como a nossa moeda nos mantém de pé, nos dias de hoje.

Fazendo uma pesquisa sobre o que pensam algumas pessoas ligadas as religiões de matriz africana, acabamos consultando o Bàbálorìṣá Elson Júnior, mais conhecido como Batatinha D Oṣun. Filho da saudosa Ìyáloriṣá Yara Oṣun (em memória) e descendente do Àṣẹ Òṣùmàrè. Quando perguntado perguntado sobre essa semelhança, o Bàbá nos deu seu ponto de vista.

Bàbáloriṣá Batatinha D Oṣun

– O búzio sempre foi achado em grande quantidade, em solo africano, no século XIX. Por esse motivo, sempre foi utilizado como moeda de troca. Dessa maneira conseguiam obter seus alimentos. Fazendo uma correlação com os dias atuais, entendemos a necessidade do dinheiro em nossas vidas, pois sem ele, não conseguiríamos adquirir o que necessitamos e nem poderíamos arcar com nossas despesas cotidianas. O dinheiro corrompe, mata, mas não temos como viver sem sua existência. Falou Batatinha D Oṣun.

Ao mesmo que nós enxergamos a importância do dinheiro, passamos a ver o peso que o mesmo dá para algumas situações e isso acaba por invadir, até mesmo, o espaço sagrado. Hoje é inviável viver sem o papel capitalista? Bàbá Elson não responde com muita coerência e sutileza, como lhe é de costume.

– As casas religiosas precisam se manter e boa parte disso vem dos auxílios financeiros, pois esse é o mundo que vivemos hoje. São muitas taxas para serem pagas, tais como luz, água, alimentação e manutenção em geral. Isso faz com que muitos sacerdotes, assim como eu, tenha que cobrar por sua mão de obra, devido ao tempo dispensado em cada trabalho proposto. Muitas vezes, por conta do excesso de exercícios religiosos, Bàbás e Ìyás precisam se dedicar 100% ao sagrado, fazendo com que o dinheiro seja uma moeda de troca para o sustento de seu àṣẹ e sua família. Afinal de contas, quem procura ajuda nem sempre pode esperar. Os búzios, nesse caso, passam a ser elemento divinatório, através do mẹ́rindilógún. Assim como utilizamos o mesmo em boa parte dos assentamentos de Òrìṣà, fazendo essa releitura financeira, junto a história de nossa ancestralidade. Explicou o Bàbá.

O exagero não combina muito com a história escrita pelo Candomblé, mas desvincular o crescimento do mesmo ao lado financeiro é inevitável. O mundo se modernizou e as comunidades de àṣẹ acompanham essa tendência, em boa parte. O que não pode se perder é a essência sagrada, como encerrou Pai Batatinha, em seu recado final.

– Hoje vejo a sociedade escrava do dinheiro. Sem religiosidade e, alguns casos, sem honestidade. O ser humano está desequilibrado, como costumo dizer. Nossas energias estão gastas. Quase se extinguindo. Somos substituíveis para os que não buscam o bem estar. Orientar os de hoje para que possam voltar a fortalecer o equilíbrio é muito importante. O bom resultado individual traz uma melhor resposta coletiva e esse fato é indispensável nos dias de hoje. Beijos no coração e vamos cultuar Ajé Saluga!

Contato Bàbá Joaquim D’Ògún

(21) 96991-4004
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