Jornal Povo

Madureira celebra a reabertura do Ilê Àṣẹ da saudosa Ìyá Regina de Oṣọ́ọ̀si

Bàbá Luiz Gustavo ao lado do retrato de sua mãe carnal, Regina de Oṣọ́ọ̀si

No dia 30 de março, o bairro de Madureira reviveu as belas noite de Candomblé no Ilê Asé Igbá Odé, da finada Ìyá Regina de Oṣọ́ọ̀si.

A reabertura da casa mostrou ao público que o herdeiro do àṣẹ, Luiz Gustavo de Òṣóògiyan, filho carnal da matriarca, não estará sozinho na continuidade do legado deixado por sua mãe.

Agora todos poderão acompanhar o Bàbálorìṣá Luiz Gustavo também em seu ẹgbẹ́. Entretanto, todos os domingos, às 22h, na rádio metropolitana AM 1090, o jovem líder comanda o programa África e seus mistérios, que também era gerido por Iyá Regina (em memória).

Com muita postura e ciente de suas obrigações daqui por diante, Bàbá Luiz Gustavo conversou conosco sobre esse novo desafio em sua vida.

Entrevista de Luiz Gustavo para alunos da Universidade Estácio

Nome e onde nasceu?

– Meu nome é Luiz Gustavo Gomes. Mais conhecido como Pai Luiz Gustavo de Osoguian. Nascido para o Òrìṣà no dia 12 de janeiro de 1992.

Qual raiz de seu àṣẹ e o nome do mesmo?

– Hoje sou o sacerdote do Ilê Ase Igbá Odé. Fundado pela minha mãe carnal, Iyalorisa Regina de Osossi (Odé Farokan). Nosso Ase é Ketu e de seguimento Opo Afonjá.

Como foi reabrir a casa que herdou de sua mãe carnal, Regina de Oṣọ́ọ̀si?

– Foi uma emoção nunca sentida na minha vida, pois é como digo, minha mãe estará sempre presente ao meu lado. Foi difícil. No ritual de um ano de luto, foram muitas dificuldades e muitos questionamentos. Me tornei um homem, um sacerdote, um representante do Ase Igbá Odé de um dia pro outro, mas com muita força, dedicação e união dos filhos da casa e de pessoas amigas, pude dar continuidade ao grande legado deixado por minha mamãe.

Como é dar continuidade no legado deixado por sua mãe?

– É uma missão árdua, pois via minha mãe exercer um papel único dentro do Ẹgbẹ́ e também na religião, de um modo geral. No início foi difícil eu me controlar. Primeiro foi não ter amadurecimento para tal coisas. Segundo foi a forma de falar e entender as questões que se passam com filhos na casa, clientes ou pessoas que procuram uma resposta. Então para eu dar essa continuidade com a maestria que minha mamãe fazia, requer tempo e experiência. Sou jovem e com muita disposição para fazer sempre o melhor e deixar o nome de minha mãe e do meu Ase sempre bem aos olhos da nossa religião.

Como vê o Candomblé daqui a dez anos?

– Eu vejo união, pois como sempre digo: Juntos somos mais fortes. Vejo que tem que existir uma mudança dentro de cada Ẹgbẹ́ e que os jovens de hoje sejam mais respeitosos com seus àgbàs e mais velhos de um modo geral. Só assim poderemos ter um futuro promissor para nós mesmos e também para nossos filhos e netos. A união e fundamental para que possamos vencer o preconceito e a intolerância.

Sua visão sobre o jovem e o Candomblé?

– Como sabe, sou jovem. Tenho apenas 27 anos e completo 28, agora dia 23 de abril. Enxergo o jovem e o candomblé como um encontro perfeito, pois é uma religião ancestral que se transmite do mais velho para o mais novo. Com isso e o jovem se dedicando cada vez mais ao sagrado, terá mais oportunidade de estar ajudando seu àgbà que, de certa forma já está com uma idade avançada de vida e cansado de muitas coisas. Nós mais jovens, devemos proceder sempre com educação e humildade para aprender junto aos nossos mais velhos. Por isso a importância de pessoas novas se iniciarem para dar continuidade ao legado deixado por nossos antepassados. Digo e repito, Pai Joaquim. O jovem de hoje é o futuro de amanhã. Então zele pelo seu Àṣẹ, pelo seu Bàbá ou Ìyá, pois é daí que você irá tirar os ensinamentos para ser uma pessoa de bem futuramente. Siga sempre sua raiz.

Deixe um recado para o povo de santo, por favor:

– Peço à vocês, queridos irmãos e irmãs candomblecistas e umbandistas. Se unam cada vez mais, pois somos um só, em prol da paz, da alegria e do amor. Então caros irmãos e irmãs, vamos ser humildes e não criticar a nós mesmos. É isso que prejudica nossa religião. As pedradas vêm do nosso povo. Então vamos nos unir mais e levar junto o sangue o suor e a sabedoria dos nossos antepassados. Assim conseguiremos fazer um futuro melhor para nós, povo de Àṣẹ. Desde já, agradeço ao Pai Joaquim e a todos do Jornal o Povo. Peço a benção a todos os Ọmọ Òrìṣàs e meu muito obrigado!

Contato Bàbá Joaquim D’Ògún

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