Jornal Povo

Síndico administra condomínio em Mesquita como se fosse seu negócio particular

Reclamações frequentes, cobranças indevidas e até mesmo casos de agressão a morador pautam a gestão de síndico de Ramon Melo Pamplona.

Moradores do Condomínio Vivendas da Torre, no bairro Rocha Sobrinho, em Mesquita, na Baixada Fluminense, vivem um drama pautado pelo abandono e pelo autoritarismo. Isso porque o síndico desse condomínio, Ramon Melo Pamplona, não quer abandonar o cargo que já ocupa há mais de dois anos. Sua administração acumula uma série de irregularidades, reclamações e transtornos para as pessoas que moram no local.

Ramon foi eleito síndico em 2017. Até aí, tudo acontecia pelo menos de maneira irregular. Entretanto, em dezembro de 2018, quando era para haver uma reeleição ao cargo, ele indeferiu a concorrência de todos os moradores que queriam disputar a cadeira. De acordo com relatos dos moradores, como não houve uma votação direta, Ramon se manteve na posição de síndico alegando que era o único do local a ter se candidatado. Ainda de acordo com os moradores, nunca foi apresentado por ele nenhum tipo de ata da Assembleia que constatasse sua reeleição.

O síndico faz do condomínio sua propriedade, esquecendo dos compromissos a serem feitos com os moradores, muitos deles até básicos. Falta de manutenção no espaço, a área de lazer que se transformou em entulho de madeira, árvores que não são podadas e esbarram nas fiações dos postes podendo causar acidentes e extintores fora da validade deixam cada vez mais difícil a rotina de moradia dos condôminos. Autoridades como a Defesa Civil são barradas por ordem de Ramon a entrarem no local. Até mesmo a internet, que é paga pelos moradores e só é usada pelos funcionários da portaria. Há relatos de que nem ele e nem seus parentes moram no condomínio e que ele vai ao local poucas vezes e mesmo assim, pela madrugada, quando ninguém o vê.

 

ETE atrasada

Uma das maiores preocupações dos moradores é a falta de pagamento da regularização Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), que desde junho do ano passado está em atraso. A prefeitura de Mesquita já notificou o síndico para que em até 15 dias regularizasse o serviço, mas até agora nada foi feito.

Balancete de despesas e receitas mensais que vem nos boletos dos moradores. É possível ver que consta como ‘Manutenção da ETE’. / Foto: reprodução

Funcionários com salários atrasados e sem benefícios

Outro problema é o modo como os funcionários são desvalorizados. O pagamento atrasa frequentemente. Além disso, eles não possuem benefícios trabalhistas como cesta básica, férias e plano de saúde.

Torre do medo

A torre do condomínio já causou diversos transtornos aos moradores. De acordo com alguns relatos, já caíram partes dessa torre em cima de algumas casas que ficam embaixo dela. Além disso, fica cada vez mais aparente as rachaduras causadas pelas chuvas. Os para-raios foram roubados há nove anos e isso também já fez com que muitos moradores perdessem seus eletrodomésticos. Eles chegaram a procurar ajuda da prefeitura, mas disseram  que nada foi feito porque a torre é considerada como patrimônio histórico da cidade de Mesquita.

“Eu já pedi diversas vezes para a prefeitura resolver esse problema da torre, mas nada acontece. Quando dissemos para o síndico resolver, ele diz que não é da responsabilidade dele. Ficamos sem saber o que fazer. Já pedi diversas vezes a limpeza do terreno e não é feita. Acaba vindo um monte bicho aqui para dentro, rato então é o que mais tem”, disse Tatiane Sales, 36 anos, moradora do condomínio.

Rachaduras na torre preocupam os moradores/Foto: Bruno Beiruth-Jornal Povo

Cobranças indevidas

Há reclamações também de cobranças indevidas. Boletos de taxa de condomínio que já foram pagos e são cobrados pelo síndico é uma situação recorrente.

“Ele me cobrou uma conta que eu já tinha pagado. Mesmo mostrando o comprovante, ainda tive que pagar um mês de taxa de condomínio que já tinha sido quitado”, disse Maria Luíza carvalho, de 72 anos.

“Fui cobrado  três meses de taxa de condomínio que eu já tinha pagado. Me cobrou até de outros anos. Eu levei o comprovante e mesmo assim ele expôs o nosso nome na Assembleia Extraordinária que fizemos em dezembro do ano passado. Eu entrei na justiça e o processo ainda está em andamento”, disse Orlando Lira de Almeida, 56 anos.

“Eu paguei quatro vezes a mesma taxa.  Ele mandava o boleto e, como eu não sei ler direito, ia lá e dava o dinheiro achando que era outra coisa. Todas as contas que vinha eu ia e pagava sem atraso. Agora eu estou esperando ele para fazer um acordo para acertar essas dívidas, mas ele não quer fazer esse acordo”, disse Maria Aparecida, de 72 anos.

Morador já foi agredido pelo síndico

Um dos casos que mais revoltou os moradores do condomínio foi a agressão sofrida por um dos moradores pelo síndico. Nélio conta que, na ocasião ele levou chutes e socos ao ir à casa de Ramon fazer uma reclamação.

“Eu fui à casa dele, toquei a campainha e quando ele abriu a porta já saiu me agredindo. Tudo isso porque eu fiz uma reclamação de que colocaram um material de construção na frente do meu portão. Ele ainda disse que tem uma filmagem em que eu apareço chutando a porta dele. Eu o coloquei na justiça, num processo criminal. Ele já faltou a primeira audiência”, disse Nélio.

Condomínio ainda está registrado na antiga administradora

Desde que foi eleito como síndico, Ramon ainda foi a Receita Federal para transferir o condomínio para sua responsabilidade, através da empresa RM Pamplona. O local ainda está sob responsabilidade da empresa Ultrapar. Os moradores dizem que até 2017, as documentações ainda constavam na antiga administradora. Ou seja, as irregularidades ficam na responsabilidade da Ultrapar.

A equipe do Jornal Povo procurou o Ramon Pamplona para falar sobre o assunto e dar sua versão dos fatos, mas até o momento do fechamento desta reportagem ele não se manifestou.

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