Cabral admite que comprou, por US$ 2 milhões, votos para trazer a Olimpíada para o Rio

O ex-governador Sérgio Cabral admitiu pela primeira vez que comprou, por US$ 2 milhões, votos que garantiram a escolha do Rio como sede da Olimpíada de 2016.

Em depoimento nesta quinta-feira ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, responsável pela Lava Jato no Rio de Janeiro, Cabral disse que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-prefeito Eduardo Paes não participaram do esquema, mas sabiam dos pagamentos de propina.

“Eu falei: ‘presidente, deixa eu te contar. Meu medo era passar por essa fase. Eu tive um arranjo político, assim, assim, assado… Ele fingiu que não ouviu. Tá bom, tá ótimo. Eu falei: ‘Não queria falar nada pro senhor, coisa minha'”, disse Cabral.

Em nota, a assessoria de Lula afirmou: “É inverídica e sem provas a referência feita ao ex-presidente Lula pelo ex-governador Sergio Cabral”.

Paes disse: “no depoimento dado hoje, o Sr. Sérgio Cabral disse, com todas as letras, que Eduardo Paes não participou de qualquer esquema de compra de votos. Eduardo Paes reafirma, ainda, que nunca soube da existência do referido esquema.”

O interrogatório desta quinta foi um pedido da defesa de Cabral, que pretende colaborar com as investigações da Operação Unfair Play. Ele afirmou que o ex-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, indicou o presidente da Federação Internacional de Atletismo (IAAF), Lamine Diack, como intermediário da negociata.

No processo, Cabral é acusado pelo Ministério Público Federal de envolvimento em um suposto esquema de compra de votos no Comitê Olímpico Internacional (COI). Os investigadores querem saber se houve fraude na eleição do Rio para receber os Jogos Olímpicos.

Além de Cabral e de Nuzman, o ex-diretor do COB Leonardo Gryner e o empresário Arthur Soares Filho, conhecido como Rei Arthur, foram denunciados por corrupção devido à suspeita de compra de votos. As defesas negam. Lamine Diack e o filho dele, Papa, são acusados de intermediar o pagamento de US$ 2 milhões.

Detalhes do depoimento de Cabral

No depoimento desta quinta, Cabral contou que, em agosto de 2009, durante a campanha trazer os Jogos Olímpicos ao Rio, foi procurado por Nuzman, então presidente do COB, para um “encontro urgente” depois de um evento esportivo em Roma.

“Eu não sabia qual seria a repercussão de um núcleo europeizado muito forte [na votação]. Nessa natureza, o Nuzman vira pra mim e me fala: ‘Sérgio, quero te abrir que o presidente da IAAF, Lamine Diack, ele é uma pessoa que se abre pra vantagens indevidas. Ele pode garantir 5 ou 6 votos. Ele quer, em troca, US$ 1,5 milhão'”, disse o ex-governador.

No interrogatório, Cabral disse ter perguntado a Nuzman de onde viriam os votos e qual a garantia de que seriam de fato obtidos. O então presidente do COB teria respondido que seriam de membros africanos do comitê e também de representantes do atletismo.

Os réus no processo

  • Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro
  • Carlos Arthur Nuzman, ex-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB)
  • Leonardo Gryner, ex-diretor do COB e ex-diretor de operações da Rio 2016
  • Arthur Soares Filho, empresário conhecido como Rei Arthur que teria participado do esquema de compra de votos
  • Lamine Diack, ex-presidente da Federação Internacional de Atletismo (IAAF)
  • Papa Massata Diack, filho de Lamine

De acordo com a denúncia do MPF, Cabral, Nuzman e Gryner solicitaram diretamente a Arthur Soares Filho o pagamento de US$ 2 milhões para Papa Diack, para garantir votos para o Rio de Janeiro na eleição da cidade-sede da Olimpíada de 2016, o que configura corrupção passiva. As defesas negam.

Como Lamine Diack e Papa Diack são estrangeiros, o juiz Marcelo Bretas determinou que o processo fosse desmembrado, para que ambos sejam investigados no país em que residem.

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