Jornal Povo

Defensoria vai buscar acordo com a Supervia e o Estado para indenizar jovens que sofreram abusos

Os dois adolescentes que acusam funcionários da Supervia de abuso sexual e tortura estiveram, nesta quinta-feira, na Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, no Centro da cidade, para receberem orientações jurídicas sobre seus direitos.

Segundo Beatriz Carvalho de Araújo Cunha, defensora pública e subcoordenadora da Coordenadoria dos Direitos da Criança e do Adolescente, os jovens e suas mães foram acolhidos e orientados.

A ideia inicial da defensoria é buscar um acordo extrajudicial para conseguir as indenizações para as vítimas.

“A ideia inicial é tentar solucionar os litígios de forma extrajudicial. Então a nossa ideia é entrar em contato com a Supervia e o Estado do Rio de Janeiro, de forma que a gente tente compor amigavelmente o litígio. Que esses garotos tenham uma indenização pelos danos que eles sofreram, sem o prejuízo de nós atuarmos como assistente de acusação em eventual processo criminal contra os autores desses crimes”, disse a defensora.

O crime teria acontecido no último domingo, quando os dois jovens foram humilhados e obrigados a praticar sexo oral um no outro. Os agressores gravaram a cena e colocaram na internet.

No início da semana, uma queixa foi formalizada pelo parente de uma das vítimas da Delegacia de Polícia Judiciária Militar. De acordo com os jovens, eles foram abordados no trem por dois homens que se identificaram como policiais.

Ainda segundo os relatos das vítimas, seis pessoas participaram da ação. “Dois falando que eram policiais e quatro guardinhas da Supervia”, contou um deles.

A Defensora Pública também confirmou que um dos jovens tem uma anotação por associação ao tráfico de drogas e fugiu de uma unidade do Departamento Geral de Ações Socioeducativa (Degase). Contudo, de acordo com Beatriz, por conta dos crimes praticados o rapaz não teria condições de ser conduzido ao sistema penal novamente.

“Considerando o grave crime do qual ele foi vítima, tortura psicológica e estupro, ele não tem nenhuma condição de cumprir essa medida socioeducativa nesse momento. Por essa razão, a defensoria pública vai fazer o pedido de suspensão dessa medida”, disse a defensora.

PMs identificados

A Secretaria de Estado de Polícia Militar do Rio de Janeiro informou na noite de quarta-feira que as vítimas do abuso sexual cometido em uma estação de trem da Zona Norte da cidade identificaram por um álbum de fotografia dois policias militares como autores das agressões.

Os amigos, de 17 e 18 anos, admitem que são usuários de drogas e que iam comprar maconha na comunidade da Mangueira. Mas alegaram que no momento na abordagem não estavam com drogas.

Os rapazes contam ainda que foram tirados do trem com violência e que sofreram agressões, ameaças, abusos e humilhações dentro mesmo da estação Maracanã.

Na manhã da última quarta, a SuperVia anunciou a demissão dos dois funcionários do setor de segurança suspeitos de envolvimento no caso.

Delegado classifica crime como estupro

O delegado Roberto Ramos, titular da 18ª Delegacia de Polícia (Praça da Bandeira), instaurou um inquérito para investigar as denúncias.

De acordo com Ramos, os responsáveis pelas agressões e humilhações podem responder por tortura, divulgação de imagens pornográficas e também por estupro.

“Os dois garotos foram obrigados a manter contato sexual de maneira forçada, mediante uma arma que era apontada para eles. Armas e ameaças. Então não tinha vontade. A vontade era do agente. A ambição sexual era do próprio agente. Isso configura um crime de estupro”, explicou o delegado.

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