Ajuda após furacão nas Bahamas ainda é insuficiente, diz voluntária que mora no arquipélago

Organização das Nações Unidas (ONU) avalia que 76 mil pessoas foram afetadas na passagem do furacão Dorian pelo arquipélago do Atlântico.

Quatro dias após o furacão Dorian tocar o solo nas Bahamas, ainda há regiões sem água, comida e energia em vários pontos das ilhas Ábaco e Grand Bahama– as ilhas mais atingidas pela tempestade tropical. A Organização das Nações Unidas (ONU) avalia que 76 mil pessoas foram afetadas.

Voluntários se mobilizaram para arrecadar ajuda humanitária em Nassau, a capital desse arquipélago de mais de 700 ilhas no Atlântico, onde a tempestade provocou inundações. A água está baixando aos poucos nas ruas e as pessoas voltando para o trabalho.

A chilena Pia Oyarzun, de 32 anos, que mora há seis anos nas Bahamas, está entre os voluntários.

“Só ontem acho que empacotei uns 100 kits. Tem muita gente mobilizada, mas sei que ainda não é o suficiente. Sabemos que tem um monte de gente sem água, sem comida, por isso, estamos tentando agilizar essa ajuda”, afirmou.

Mergulhadora chilena Pia Oyarzun (em primeiro plano) faz foto com voluntárias em centro de ajuda às vítimas do furacão Dorian — Foto: Pia Oyarzun/Arquivo Pessoal Mergulhadora chilena Pia Oyarzun (em primeiro plano) faz foto com voluntárias em centro de ajuda às vítimas do furacão Dorian — Foto: Pia Oyarzun/Arquivo Pessoal

O secretário-geral adjunto para Assuntos Humanitários da ONU, Mark Lowcock, afirmou que a ONU desbloqueou US$ 1 milhão para levar alimentos, água, barracas e medicamentos para as Bahamas.

A Federação Internacional de Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (IFRC) disse estar preparando “um grande esforço de emergência” para aliviar a situação.

‘Foi sinistro’

No domingo (1º), Dorian tocou o solo na ilha de Ábaco com ventos de quase 300 km/h e provocou tempestades. Ele seguiu então para a ilha ilha de Grand Bahama, onde fica o aeroporto internacional do arquipélago. Desde 1935, um furacão na categoria 5 (a mais alta da escala de Saffir Simpson) não atingia o país.

A conexão telefônica foi rompida, assim como o fornecimento de energia elétrica. A Cruz Vermelha Internacional avalia que 13 mil imóveis foram destruídos ou ficaram severamente danificados. Estradas ficaram interrompidas e a água ainda não baixou, como mostram imagens aéreas divulgadas pelas agências internacionais nesta quinta.

O primeiro-ministro Hubert Minnis qualificou a situação como “uma das maiores crises da história” do país.

A haitiana Aliana Alexis abre os braços em desespero em meio ao que sobrou da estrutura de sua casa após a passagem do furacão Dorian em área chamada de 'The Mud' ('A Lama') em Marsh Harbour, na ilha de Great Abaco, nas Bahamas. O furacão de categoria 5 com ventos de quase 300 km/h deixou 20 mortos e graves inundações — Foto: Al Diaz/Miami Herald via AP

A instrutora de mergulho e fotógrafa disse ter ficado assustada com a intensidade do furacão. “Foi sinistro. Uma amiga que mora em Freeport [em Grande Bahama] contou que a casa dela ficou praticamente debaixo d’água.”

Até o momento, as autoridades falam em 20 mortos, mas os esforços de regaste e busca por corpos ainda estão no começo. Pia acredita que esse número vai aumentar.

“Tem muitos desaparecidos. Meu cunhado mesmo ficou por três dias [desaparecido]. Tentamos falar com ele com um telefone por satélite, mas não deu certo. Vimos o nome dele na lista [de sobreviventes], mas até agora não conseguimos conversar com ele”, afirma, aliviada.

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