Ex-subsecretário de Obras de Nova Iguaçu é preso em flagrante em operação contra milícia

O ex-subsecretário de Obras de Nova Iguaçu, Jefferson Ramos, foi preso em flagrante por porte ilegal de arma, na manhã desta quarta-feira, durante uma operação da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) contra a milícia que atua em Austin, na mesma cidade. Segundo o delegado Moyses Santana, titular da especializada, o político pode ter ligação com a organização criminosa. Policiais Militares também podem integrar a milícia de Austin e três foram alvos dos mandados.

O sítio de Jefferson era um dos 43 alvos dos mandados de busca e apreensão. A Delegacia de Homicídios chegou até o endereço dele, na Estrada Carlos Sampaio, após sua estreita relação com um dos líderes da milícia de Austin, Marcos Antônio dos Santos Amaral, o Marquinho Alemão, que também foi preso nesta operação.

“Com certeza o Marquinho Alemão é um dos líderes e tem uma estreita relação com o outro preso, o Jefferson Ramos, que é pré-candidato a vereador de Nova Iguaçu e já foi subsecretário de Obras. Eles têm uma relação forte e, por isso, por ter essa bagagem política até que o Marcos Alemão é um dos líderes dessa organização criminosa. O político não era alvo da investigação até o momento, mas como havia essa relação, pedimos o mandado de busca e encontramos uma arma. O crime dele é inafiançável”, declarou Moyses Santana.

Na casa do ex-subsecretário foi encontrada uma pistola, que pertencia a ele, segundo a polícia. No mesmo imóvel também estava o irmão de Jefferson, Jorge Luiz Ramos de Oliveira, que estava com um revólver calibre 38, que estava com a numeração raspada.

O advogado dos irmãos, Pedro Silva, afirma desconhecer a relação deles com o Marquinho Alemão e que a única fonte de renda dos mesmos vem do sítio onde eles vivem.

INVESTIGAÇÕES

As investigações da DHBF sobre a milícia que atua em Austin, começaram a partir dos homicídios de Bruno Tavares Ribeiro, de 21 anos, e Maicon José Jovem de Oliveira, 26, no dia 26 de agosto.

A dupla também era suspeita de integrar o grupo paramilitar e teria sido morta pelos próprios comparsas por desavenças internas. Bruno e Maicon estavam no Bar do Babaloo, em Austin, quando foram sequestrados e seus corpos foram encontrados próximos do Arco Metropolitano.

A DHBF conseguiu descobrir que a milícia de Austin seria responsável por pelo menos 20 assassinatos na região, que foram cometidos no período de um ano.

“Estamos mapeando aquela região, vendo o modus operandi de cada um deles, o calibre usado nesses homicídios. Com as armas apreendidas hoje nós vamos fazer o confronto balístico para atribuir a essas pessoas, esses homicídios e poder também identificar todos os integrantes. Nosso principal hoje era levantar informações tanto da organização criminosa, quanto dos homicídios”, explicou Moyses.

Ainda segundo as investigações, a organização criminosa explorava, principalmente, pontos de mototáxis, gatonet e cobravam taxas ilegais de segurança. “Eles matam a luz do dia, de cara limpa, realmente acham que são os donos do local, e as pessoas que não pagam as taxas são mortas”, disse o delegado.

OPERAÇÃO

Durante o cumprimento de 43 mandados de busca e apreensão, a DHBF foi até a casa do 2º sargento da Polícia Militar, André Luiz de Mello Araujo, o Honda, e encontraram uma pistola 380 e uma 12 na casa dele, sem os devidos registros. O militar não estava em casa e um inquérito será instaurado contra ele.

O endereço de outros dois PMs também foram alvo de buscas.

Suspeito de ser um dos líderes da milícia, Marcos Antônio dos Santos Amaral, o Marquinho Alemão, também foi preso em flagrante, em sua casa, com um revólver calibre 38. No entanto, uma fiança foi estipulada em seu favor e ele irá responder pelo crime de porte ilegal em liberdade.

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