Câmera escondida flagra onça-parda em floresta da Baixada Fluminense

São apenas duas imagens. Mas dão esperança de que a natureza resista numa das áreas de maior pressão sobre a Mata Atlântica no estado do Rio de Janeiro. No início deste mês, uma onça-parda (Puma concolor), também conhecida como suçuarana, foi flagrada por armadilhas fotográficas na Região Metropolitana do Rio, no ainda relativamente pouco estudado Refúgio de Vida Silvestre Estadual da Serra da Estrela.

A onça tímida da Baixada, que mal se deixou fotografar, é uma prova do papel essencial das unidades de conservação. Pouco maior do que o Parque Nacional da Tijuca e com uma área de 4.811 hectares distribuídos entre Duque de Caxias, Magé e Petrópolis, o refúgio é a unidade de conservação mais nova do estado. Ele foi criado no fim de 2017 e é administrado pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea).

Abriga o que restou de florestas que encantaram naturalistas do século XIX, como os alemães Von Martius e Spix, autores de trabalhos essenciais sobre a flora e a fauna brasileiras, e o russo Barão de Langsdorff. O registro da onça, um animal do topo da cadeia alimentar, é indicador de que as florestas ali gozam de saúde razoável.

— Uma notícia animadora e que também evidencia a necessidade de proteger essa região. Se a onça está aqui, é sinal que o ecossistema da região está saudável. Ela só sobrevive porque a floresta oferece condições — diz o gestor do refúgio, Eduardo Antunes.

Por lá já foram registrados micos-leões-dourados, os mais emblemáticos dos primatas do Brasil e que vivem exclusivamente no estado. E ainda há em curso um trabalho para salvar da extinção outro primata exclusivo da Mata Atlântica e muito ameaçado, o mico-caveirinha (Callithrix aurita).

A área é importante porque forma uma ponte entre outras duas unidades de conservação estratégicas para a biodiversidade do estado: a Reserva Biológica do Tinguá e o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, ambos federais.

A onça, que pesquisadores acreditam ser ainda jovem, não oferece risco.

— Ela tem medo do ser humano. Só sai da floresta se o seu habitat é perturbado. Nós é que somos os predadores da onça, e não o contrário. Nosso dever é protegê-la — diz Antunes.

Via: O Globo

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