Crise na saúde: com leitos de CTI fechados e corredores e recepção vazios, Pedro II vira ‘hospital fantasma’

Com dois meses de salários atrasados, muitos funcionários do Hospital Municipal Pedro II, na Zona Oeste do Rio, não estão mais indo trabalhar. Alguns não têm dinheiro nem para a passagem. Imagens feitas nesta segunda-feira (9) mostram recepção e corredores desertos.

Até leitos do CTI do setor de queimados foram esvaziados porque não tem ninguém para atender os pacientes. Quem chega ao hospital procurando atendimento tem que voltar para casa.

Uma funcionária da unidade encaminhou um vídeo à equipe de reportagem do RJ1 mostrando que sete leitos de CTI do setor de queimados foram fechados na sexta-feira (6) por falta de profissionais.

Em resposta, a direção do hospital nega que os leitos do centro de queimados estejam fechados e afirma que eles permanecem disponíveis para a regulação central do município. E sobre a falta de funcionários, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a unidade se encontra com o quadro de funcionários de recursos humanos adequado.

Na manhã desta segunda, os trabalhadores saíram do hospital e foram para as ruas. O protesto na frente do Hospital Pedro II foi para exigir pagamento. Já são dois meses sem salário.

“Armário vazio, contas vencidas. Eu tenho uma menina de 10 anos que fica pedindo as coisas e eu não tenho como dar”, diz Marilda Machado, auxiliar de serviços gerais.

Os atrasos atingem trabalhadores de praticamente todos os setores: de seguranças a médicos. Alguns funcionários já não têm mais dinheiro nem para comida.

“A gente está numa situação que só Jesus. Tem colega aí que está passando fome, tem colega aí da limpeza que foi despejado e ninguém faz nada pela gente”, conta Conceição Silva, que também trabalha como auxiliar de serviços gerais.

Daniele de Souza Oliveira sofreu queimaduras de terceiro grau no braço. Ele precisaria trocar o curativo todos os dias, mas conta que não consegue atendimento há dias por falta de médicos.

“Eu estou com esse curativo desde quinta-feira, dia que eu ganhei alta. Eu sinto dor 24 horas. Dor 24 horas! O preço do remédio é um absurdo, eu trabalho catando lixo, pegando peso, aqui está tudo sujo”, relata a paciente.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que o procedimento de troca de curativo foi realizado nesta segunda.

Os funcionários continuam sem nenhuma previsão de pagamento. Além dos salários de outubro e novembro atrasados, eles também não sabem como vai ficar o 13º salário e receiam ficar até sem ceia de Natal.

Jaqueline Lima está preocupada com filho. “Ele vai perguntar pra mim: “mãe, cadê meu presente? Mãe, cadê minha ceia?“. Os meus vizinhos têm. E eu vou dizer pra ele: meu filho, eu não tenho porque eu trabalhei e eu não recebi.”

Via: G1

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