Jornal Povo

Colégio estadual na Baixada inaugura memorial em homenagem a ex-aluno morto pela PM

Estudante inquieto, amigo leal e conselheiro. No Colégio Estadual Rubens Farrulla, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, são muitas as recordações de Victor Hugo de Jesus Pires. O jovem foi assassinado aos 17 anos por policiais militares, há um ano e meio, no bairro Vila São João. Para homenageá-lo, a unidade escolar inaugurou o Memorial Direito à Memória e Justiça Racial Victor Hugo de Jesus.

A placa fica na escada por onde passam diariamente todos os alunos do colégio. Para a mãe de Victor, Ilsimar de Jesus, de 43 anos, ver um memorial em homenagem ao adolescente causou uma mistura de sensações:

— Fiquei muito emocionada e agradecida. Ele estudou aqui por quatro anos. Os alunos chegaram a falar que fariam um abaixo-assinado para homenageá-lo, mas não foi preciso.

A placa foi inaugurada na última segunda-feira, véspera do Dia Internacional dos Direitos Humanos. A homenagem foi idealizada por alunos e a direção do colégio, em parceria com a Rede de Mães e Familiares Vítimas da Violência de Estado na Baixada e a organização Direito à Memória e Justiça Racial. Na escola, foram realizadas diversas atividades de direitos humanos com mais de 200 estudantes.

O aluno Giovanny da Silva, de 17 anos, era um dos amigos mais próximos de Victor. Ele conta que até hoje a ficha ainda não caiu:

— Éramos muito amigos. Estávamos sempre juntos. Quando aconteceu, fiquei sem acreditar. Até hoje não acredito. Quando minha mãe soube, chorou muito. Poderia ser eu ali.

A estudante Bruna Ribeiro, também de 17 anos, lembra que aprendeu a dançar com Victor. Mas o jovem ensinou outros valores à adolescente.

— Ele dizia que queria mudar a vida da mãe dele e queria logo começar a trabalhar. Vivia dizendo: “Fala para sua mãe que você a ama”. Era meu irmão — recorda Bruna.

Cada relato sobre Victor fortalece a memória do estudante. Fransergio Goulart, coordenador da Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial, destacou a importância da memória dessas vítimas.

— A memória é um instrumento pedagógico para estabelecer o diálogo sobre um tema difícil que é a segurança pública. É importante ter essa memória positiva dessas vítimas — afirma o coordenador.

Há um ano, o colégio Rubens Farrulla firmou uma parceria com a Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio) para desenvolver atividades voltadas aos direitos humanos. A escola tem também possui uma placa em homenagem à vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018, e outra, intitulada Rua Nossos Mortos Têm Voz, em homenagem aos 29 mortos da Chacina da Baixada, em 2005.

O estudante Victor Hugo de Jesus Pires, de 17 anos, e seu amigo, o ajudante de carga e descarga Vitor Oliveira, de 18, foram assassinados no dia 17 de junho de 2018, por policiais militares, após serem confundidos pelos agentes com traficantes da Vila São João, em São João de Meriti. Victor ajudava os pais na pensão.

Segundo Ilsimar, os jovens estavam indo para a casa de amigos, no mesmo bairro, quando foram abordados por policiais militares na Rua Niterói. Eles seguiam na moto da mãe de Vitor.

Ilsimar disse que testemunhas contaram que os jovens caíram com a moto durante a abordagem. Vitor foi atingido por um tiro no peito e morreu no local. Victor Hugo também foi baleado no peito, socorrido, mas não resistiu. O Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp), do Ministério Público, acompanha as investigações, mas ainda não há uma conclusão do caso. Até agora, ninguém foi punido.

Via: Jornal Extra

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