Blocos sem autorização começam a ser multados pela Prefeitura do Rio; liga critica autuações

A Prefeitura do Rio de Janeiro já começou a multar os blocos de carnaval que desfilam sem a autorização durante os dias de folia na cidade. Segundo a administração municipal, as multas têm valores a partir de R$ 1,3 mil, dependendo da quantidade de lixo que a Comlurb recolher depois da passagem do bloco. As multas tem gerado críticas até de membros de ligas autorizadas.

A fiscalização será feita por agentes da Secretaria Municipal de Eventos, responsável pela Operação Carnaval. Segundo o secretario Felipe Michel, a média da cobrança ficará entre R$ 5 e R$ 10 mil por bloco.

“Queremos um carnaval com organização e com ordem. Quando tem um bloco irregular quebra todo esse planejamento, leva desordem e lixo. Já detectamos cinco blocos irregulares, foram dois na semana passada e três neste final de semana”, explicou Felipe Michel.

Segundo o órgão municipal, as cobranças vão ser aplicadas no CPF dos organizadores dos blocos sem autorização. Os dados serão levantados pela Secretaria de Eventos e repassados à Comlurb, responsável pela aplicação da multa.

“Que a população possa colaborar também, sem participar de bloco irregular. Isso é contrário a todo o princípio que a gente está montando”, disse o secretário.

Para Felipe Michel, o planejamento da cidade não pode ser surpreendido por blocos de carnaval que podem “levar insegurança para quem está participando e para quem mora na região”.

Segundo a Riotur, dois blocos que desfilaram sem autorização no final de semana dos dias 25 e 26 de janeiro foram notificados: o Planta na Mente, na Lapa, e o Nada Demais, na Glória, na Zona Sul. Já no último final de semana, segundo a Secretaria de Eventos, mais três blocos desfilaram sem autorização. São eles: Põe na quentinha, em Copacabana, Chepa, em Santa Teresa, e outro ainda não identificado, na região do Porto do Rio.

“Quem não é regularizado tem que se responsabilizar, não só pelos danos, o lixo e a desordem, mas também como algo que possa acontecer. Qualquer fatalidade, qualquer outro problema, ou questão de ambulância e centro médico. Isso é complicado”, acrescentou Michel.

O secretario ainda lembrou que a Comlurb precisou recolher 30 sacos de lixo, de 150 litros cada, depois do desfile do bloco Nada Demais, no último dia 25, na Glória.

Céu na Terra é um dos blocos autorizados pela Prefeitura — Foto: Fernando Maia/Riotur

Liga critica multas

Entre aqueles que não concordam com a nova decisão da prefeitura estão alguns dos organizadores de blocos tradicionais do carnaval carioca. Mesmo com a autorização da Riotur para seus desfiles, os grupos que integram a Liga Amigos do Zé Pereira, são contra a determinação municipal.

Para o presidente da liga, Rodrigo Rezende, a intenção de multar os blocos surgiu em um ano de transição na organização do carnaval. Isso porque, em 2020, as autoridades aumentaram as exigências com relação a quantidade de ambulâncias e agentes de saúde para acompanhar cada cortejo na cidade.

“Sou a favor de uma organização maior. Mas não podemos esquecer que estas exigências começaram a aparecer em função dos shows de grandes artistas, que pegam carona no público que vem ver os blocos do carioca comum”, disse Rodrigo, lembrando dos shows de artistas como Ludmila, Anita e Preta Gil.

Entre os blocos que fazem parte da Liga Amigos do Zé Pereira estão o Céu na Terra; Toca Rauuul!; Último Gole; Orquestra Voadora; Vagalume o Verde; A Rocha da Gávea, entre outros

“A atração do carnaval do Rio não são grandes nomes, e sim o próprio carioca e sua alegria e criatividade. Atitudes que busquem uma relação sem defeitos devem começar vindo do poder público, o que não foi o caso. Se os prazos e exigências começaram a ser praticados em 2020, porque multas logo agora?”, questionou Rodrigo.

Descaracterização do carnaval

Na opinião de Rodrigo Rezende, a fiscalização excessiva contra os pequenos blocos pode acabar descaracterizando o carnaval de rua do Rio de Janeiro.

“Neste momento há uma tentativa de descaracterização, infelizmente. Acredito até que não seja algo deliberado e sim uma falta de noção mesmo”, ponderou Rodrigo.

Para ele, a prefeitura tem uma visão do carnaval como um evento mais mercadológico do que cultural.

“Os gestores da Riotur são pessoas do mercado, de grandes eventos, de showbusiness e sem experiência com cultura. O que precisa ser preservado é o bloco do carioca comum, exatamente quem tem dificuldade em pagar pelo serviço médico. Grandes artistas têm grandes patrocínios e não passam por isto”, disse o presidente da liga.

“Acrescento ainda que, sobre os ensaios de rua, se não perturbarem o ir e vir das pessoas e o acesso a serviços básicos, deveriam ser incentivados e não multados”, completou Rodrigo.


Bloco da Favorita levou 300 mil pessoas à Copacabana — Foto: Divulgação / Fernando MaiaRiotur

Calendário oficial ainda não foi divulgado

Na última quinta-feira (30), a Riotur informou que já tinha uma lista fechada com todos os blocos que desfilarão no Carnaval de Rua em 2020. Contudo, a divulgação ainda não foi feita para que alguns organizadores possam ter mais tempo para apresentar a documentação pendente no Corpo de Bombeiros e na Polícia Militar.

Ao todo, a Prefeitura do Rio recebeu 543 pedidos de cadastros de desfiles de carnaval, sendo 133 deles na Zona Sul.

Mega blocos autorizados

Apesar do calendário do carnaval de rua tradicional ainda não estar definido, as datas de desfile dos mega blocos foi divulgada no último dia 8 de janeiro.

Confira a programação:

  • 2 de fevereiro: Bloco da Lexa
  • 9 de fevereiro: Carnaval Square (Claudia Leitte)
  • 15 de fevereiro: Chora me Liga
  • 16 de fevereiro: Bloco da Preta
  • 22 de fevereiro: Cordão da Bola Preta
  • 25 de fevereiro: Fervo da Lud
  • 29 de fevereiro: Bloco das Poderosas
  • 1º de março: Monobloco

Ainda segundo a Prefeitura, serão investidos R$ 100 milhões no carnaval deste ano, incluindo balanço de todos os órgãos públicos. Apenas no Sambódromo, serão R$ 16 milhões, com operações da Riotur, Comlurb, água e luz.

‘Folião espião’

Agentes da Secretaria de Eventos testaram, no bloco Chame Gente, que desfilou em São Conrado, na Zona Sul, o equipamento de segurança “mochilink”, que envia imagens em tempo real para o Centro de Operações Rio (COR).

Chamado de “folião espião”, o equipamento consiste em uma mochila com duas câmeras – uma delas em 360º – , operada por um técnico da Secretaria de Eventos, que transmite tudo o que acontece para o Centro de Operações Rio e para os celulares de todos os agentes envolvidos da operação de segurança e fiscalização.

De acordo com o secretario Felipe Michel, os testes foram um sucesso.

“O teste do mochilink foi um sucesso porque nós acompanhamos em tempo real e podemos agilizar toda tomada de decisão, nas ações do trânsito, pequenos princípios de confusão, ações na ordem, limpeza e dispersão dos blocos. É para isso que vai servir o espião folião”, explicou Michel.

Fonte: G1

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