Polícia conclui que adolescente foi morto por engano em ataque a barbearia; PMs são investigados

RIO — A Polícia Civil concluiu que o adolescente Kelvin Gomes Cavalcante, de 17 anos, não era o alvo do ataque a tiros que terminou com sua morte, em outubro do ano passado, na Favela Para-Pedro, em Colégio, Zona Norte do Rio. Testemunhas contaram na Delegacia de Homicídios que Kelvin estava sentado na frente de uma barbearia, na fila para cortar o cabelo, quando foi alvo de seis disparos. Dentro do estabelecimento, na cadeira do barbeiro, estava um gerente do tráfico na comunidade, conhecido como Radical — a quem os tiros eram endereçados.


Além de Kelvin, outros três jovens que estavam na frente do estabelecimento foram baleados. Os sobreviventes contaram à especializada que os atiradores estavam à paisana: um vestia camisa branca e bermuda, o outro estava sem camisa e usava uma bermuda vermelha. Os assassinos sequer abordaram os jovens, só chegaram ao local por um beco e começaram a atirar. Antes de fugir em direção à Avenida Pastor Martin Luther King Jr., um deles disse aos sobreviventes: “Deixa ele agonizar”.

Além de tentar identificar os atiradores, a DH também apura a participação de policiais militares do batalhão de Irajá, o 41º BPM — vizinho à favela —, no crime. Duas testemunhas citaram, em seus depoimentos, que assassinos e PMs foram vistos juntos no dia do ataque.

PM foi preso durante protesto em enterro Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo
PM foi preso durante protesto em enterro Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo

Uma delas afirmou que, antes do crime, os dois assassinos à paisana estavam perto de uma viatura do batalhão, com um PM fardado, num dos acessos à favela. Outra testemunha alegou que, durante o socorro de Kelvin até o Posto de Assistência Médica (PAM) de Irajá — onde o jovem foi declarado morto logo depois, viu os atiradores junto a um grupo de policiais militares fardados fora da favela.

Na época do crime, Kelvin trabalhava como carregador na Central de Abastecimento do Rio (Ceasa) e ajudava o pai, que tem uma empresa de instalação de portas e esquadrias de alumínio.

Mãe entregou cápsulas para investigadores

Kelvin foi atingido por seis disparos — cinco no peito e um na cabeça. Como o adolescente foi socorrido por moradores da favela para o Posto de Assistência Médica (PAM) de Irajá, a cena do crime foi desfeita e não houve perícia no local. Entretanto, a mãe do adolescente, a confeiteira Izabel Viana, de 47 anos, levou à DH estojos de munição .40 recolhidos por moradores. O calibre é usado pelas polícias Civil e Militar.

— Eu quero saber quem matou meu filho. Ele estava no lugar errado e na hora errada. Não tinha nada a ver com o que houve ali. Essas pessoas têm que pagar — afirmou a mãe.

Moradores da favela Para-Pedro ouvidos pelo GLOBO afirmaram que não houve invasão à favela naquele dia. Também não foram registradas entradas de facções rivais na favela depois do ataque.

Após o enterro de Kelvin, parentes fizeram um protesto na porta do Cemitério de Irajá. Durante a manifestação um PM do 41º BPM foi preso em flagrante pela Corregedoria da corporação por dar um chute num manifestante e atirar duas vezes para o alto com um fuzil. À época, a PM alegou que o agente “se descontrolou e realizou disparos de arma de fogo”. Após os disparos, um ônibus foi depredado próximo à favela. Segundo a corporação, o PM seria “avaliado e acompanhado pelo setor de psicologia”.

Fonte: O Globo

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