Sem água há dois meses e pagando caminhões-pipa, condomínio em Nova Iguaçu processa a Cedae

Imagine enfrentar esse calorão sem água nas torneiras. É por esse tormento que moradores de um condomínio em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, estão passando. Com 1.200 pessoas em 380 apartamentos, o Conquista Nova Iguaçu está há dois meses com as torneiras secas. O empreendimento foi inaugurado em outubro do ano passado e, desde o dia 21 de dezembro, enfrenta o problema da falta d’água. Devido à seca, o condomínio processou a Cedae.

O policial Carlos Wilson da Silva, de 52 anos, conta como tem sido a dificuldade que ele e sua mulher estão passando desde 2019:

— No Natal, não tinha água nem para tomar banho. Quando caía, era muito suja. Tivemos que ligar para o síndico contratar um caminhão-pipa. Para beber, só água mineral.

Dos 540 apartamentos, 380 estão com moradores. Um caminhão-pipa de 20 mil litros não resolve o problema. Só na terça-feira, foram contratados oito caminhões. O síndico Charles Costa disse que todo o saldo do condomínio está sendo utilizado para comprar água:

— Esse dinheiro é destinado a melhorias no condomínio. Daqui a pouco, não vai ter mais esse saldo. Desde dezembro, já gastamos R$ 60 mil com caminhões-pipa.

As caixas d’água têm sido abastecidas pelos carros-pipa desde o ano passado
As caixas d’água têm sido abastecidas pelos carros-pipa desde o ano passado Foto: Cléber Júnior / Agência O Globo

Sem nenhuma resposta ou solução da companhia, Charles disse que foi preciso racionar o uso da água. Moradores foram orientados a lavar roupa uma vez por semana, utilizar a opção de enxágue simples na máquina, entre outras medidas de economia.

O estudante Davidson Araújo, de 25 anos, aproveitou as férias para descansar e… lavar as roupas:

— Fui para casa da minha sogra com minha esposa em Paraty, em janeiro, e aproveitamos para lavar roupas. Domingo, chegamos da academia e não tinha água para tomar banho. Fomos para a piscina.

O síndico disse que foi diversas à Cedae em Nova Iguaçu, mas ouviu uma explicação pouco convincente.

— O funcionário alegou que a área não propicia um fornecimento regular de água. O condomínio paga, por mês, quase R$ 10 mil de conta. Esse valor é dividido entre os moradores. Por isso, decidimos entrar na justiça — ressaltou Charles.

Em nota, a Cedae informou que “a região onde se encontra o condomínio é abastecida por represas, e o fornecimento de água pode apresentar flutuações no período do verão devido às altas temperaturas e ao período de férias, quando o consumo de água aumenta. Como medidas paliativas, a Cedae vem fornecendo carro-pipa para o condomínio quando solicitada, e realizando manobras de reforço do abastecimento. Além disso, técnicos irão ao local nesta quinta-feira, dia 20”.

A companhia afirmou que o “abastecimento da região será reforçado com as obras do reservatório da Posse, incluídas no Programa de Abastecimento de Água da Baixada Fluminense. A Cedae está iniciando os procedimentos para a licitação das obras”. Quanto ao processo judicial, a Cedae informou que não foi citada, e que se manifestará em juízo no prazo legal.

Fonte: Jornal Extra

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