Jornal Povo

Desmatamento no Parque da Pedra Branca pode ter agravado enchente em Realengo, diz especialista

Moradores do Barata, localidade de Realengo, na Zona Oeste do Rio, tentam entender por que a enxurrada foi tão forte por lá durante o temporal que atingiu a cidade no domingo (1º). Eles dizem nunca ter visto algo parecido na região.

Uma pesquisadora que sobrevoou a área apontou o desmatamento no Parque Estadual da Pedra Branca como agravante da situação.

“Eu moro aqui há 25 anos. Essa tragédia que aconteceu, eu nunca vi. Foi um dilúvio. A água foi muito forte, ninguém esperava isso, foi uma coisa sobrenatural mesmo”, disse Gilberto da Silva, morador da região.

O bairro de Realengo recebeu, em menos de 24 horas, quantidade de chuva acima do previsto para todo o mês.

Condomínio sob suspeita

O RJ1 sobrevoou a área do maciço da Pedra Branca e constatou vários pontos de desmatamento na região. A reportagem também percorreu a pé até o lado norte do Parque Estadual da Pedra Branca e flagrou a construção de dezenas de casas irregulares.

Dentro do parque há um condomínio fechado de casas sendo construído. De acordo com moradores, esse condomínio alterou o leito do rio que corta o local. Dentro do parque há placas com anúncios da venda de terrenos e, ainda segundo os moradores, os responsáveis pela obra são milicianos.

Pesquisadora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Michele Souza da Silva, mestre em hidrografia, realizou o sobrevoo com a reportagem e disse que as construções aumentam o risco de deslizamentos na área.

“Não é à toa que a área tem uma unidade de conservação, justamente para poder preservar essa vegetação. Ela é importante. Quando ela é retirada, acabam se intensificando os processos erosivos, os movimentos de massa. Então, é importante a preservação da vegetação e não pode ocorrer mais construções”, disse a pesquisadora.

Michele enfatizou que a construção irregular precisa ser combatida naquela região.

“Aquela área de Realengo, vertente norte do maciço da Pedra Branca, é uma área intensamente ocupada. Tem muitas construções e, cada vez mais, a gente percebe que está tendo aumento dessas construções. E não está tendo a fiscalização que deveria ocorrer para evitar esse tipo ocupação na área da Pedra Branca”, disse.

Dois dias depois da chuva, a água que desce da montanha ainda tenta encontrar um caminho para escoar. O asfalto foi arrancado em algumas partes como se fosse uma película. A água está correndo entre o chão e o asfalto para dentro do bueiro.

Enquanto isso, os moradores não sabem como recuperar o que perderam. O servidor público Carlos Alberto dos Santos Melo perdeu na enxurrada uma caminhonete utilitária com a qual faturava uma renda extra.

“Era minha segunda renda, porque eu sou servidor municipal e pela situação do país a gente tem que ter outra renda. Vamos correr atrás para se levantar de novo”, lamentou.

Enquanto tentam recuperar o que é possível, os moradores da região ainda temem que novos temporais atinjam a região e mais destruição aconteça.

“Tem uma casa ali tá cedendo. O problema é que a casa vai cair em cima da minha. Depois desse episódio triste, essa destruição, toda a vida volta ao normal quando? Só Deus sabe. Não tem condições de eu sair de casa e deixar do jeito que está”, lamentou a moradora Vanicélia de Oliveira.

Via: G1

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