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De olho na Seleção, Gabigol inicia luta pelo bi da América como Rei: “Não vejo como peso”

Atual campeão, o Flamengo estreia na Libertadores nesta quarta-feira, às 21h30 (de Brasília), contra o Junior Barranquilla, na Colômbia. Uma de suas principais armas para defender o título da competição será Gabigol, artilheiro da última edição e eleito o “Rei da América”. Responsabilidade que ele tira de letra.

Com o sucesso, cada vez mais Gabigol fica em evidência, mas não se incomoda. Nem se virar o alvo predileto para as provocações dos torcedores rivais e dos adversários dentro de campo.

– Não vejo isso como um peso. Foram dois títulos muito importantes para mim, que guardo no coração. Mas agora começa uma outra etapa, outro ano, outro campeonato… – disse o camisa 9 em entrevista exclusiva à Globo.

Gabigol durante entrevista em Barranquilla — Foto: Fred Huber
Gabigol durante entrevista em Barranquilla — Foto: Fred Huber


Comprado pelo Flamengo este ano, Gabigol está de bem com a vida. Manteve a rotina de fazer gols – já são nove em sete partidas disputadas em 2019 – e é um dos nomes mais aguardados na convocação para a seleção brasileira, na próxima sexta-feira. Ele, no entanto, garante que não está ansioso.

O técnico Tite divulgará a lista para o início das Eliminatórias da Copa do Mundo 2022. O Brasil encara a Bolívia, em Pernambuco, no dia 27 de março. No dia 31, a equipe enfrenta o Peru, em Lima, no Estádio Nacional.

– Não fico muito ansioso sobre isso. Meu foco é na Libertadores, mas claro que todos os jogadores vão acompanhar a convocação. Vamos uma coisa de cada vez. Se vier, vou ficar muito feliz.

Gabigol durante treino do Flamengo em Barranquilla — Foto: Alexandre Vidal/Flamengo
Gabigol durante treino do Flamengo em Barranquilla — Foto: Alexandre Vidal/Flamengo


Confira a entrevista com Gabigol:

GloboEsporte.comNesta quarta-feira você inicia a disputa da Libertadores 2020 com o status de atual campeão e “Rei da América”. Acredita que estará ainda mais visado pelos adversários? Acha que vão tentar te provocar mais?

Gabigol: Não vejo isso como um peso. Foram dois títulos muito importantes para mim, que guardo no coração. Mas agora começa uma outra etapa, outro ano, outro campeonato, talvez com características diferentes. Nosso time está crescendo, assim como outros. Então, não vejo isso como um peso.

Você tem um começo de ano espetacular. O que o fez retornar das férias em tão boa forma, com tantos gols?

São muitas coisas. Depois das férias, dei continuidade, fiz uma pré-temporada boa. Ano passado eu não tinha feito. Esse ano peguei desde o início. Mantive alimentação, treinamentos.. Junto com o time, está muito bom esse início.

Como é sua rotina de atividades físicas fora do clube?

Sempre faço em casa depois dos jogos e treinos. Tenho uma academia em casa, fisioterapeuta (Alex Evangelista)…tudo. Tudo em acordo com o Flamengo. Sigo uma dieta também. Isso tudo me ajuda bastante. É algo que sempre fiz, mesmo quando tinha 16 anos. Mas claro que com os gols isso desperta mais a curiosidade.

Gabigol faz também tratamento em sua casa — Foto: Reprodução
Gabigol faz também tratamento em sua casa — Foto: Reprodução

O fato de ter agora um contrato longo com o Flamengo te ajuda a entrar mais leve em campo?

Não. Desde que cheguei ao Flamengo eu disse que tinha esse sonho de jogar pelo clube, e que não esperava que fosse tão cedo. Aconteceu. No meio do ano passado tivemos algumas conversas para eu ficar, mas acabamos deixando mais para o final do ano, em comum acordo. Tive muitas propostas da Europa, mas eu quis mesmo ficar no Flamengo, onde me sinto muito bem.

Acredita que sua decisão de ter ficado no Brasil pode mudar um pouco a forma como as pessoas enxergam o futebol nacional? Com 23 anos, o grande ídolo do futebol brasileiro, de um grande clube, e não ter ido para a Europa, como a maioria dos atletas vai. É possível ser grande em casa?

Eu poderia ter ficado na Europa depois da Inter, do Benfica, do Santos, do Flamengo… mas isso foi uma escolha minha. Eu me sinto feliz no Brasil. Estou um clube que pode me ajudar a realizar o sonho de estar na seleção brasileira. O Flamengo me proporciona isso.

Entre ser “mais um” na Europa e ser feliz no Brasil, você preferiu a segunda opção?

Não sei se mais um. Independente do time que eu escolhesse, eu iria para tentar conquistar meu espaço e fazer gols, como tenho feito. Mas quero jogar em um time em que eu seja campeão e que me leve para Seleção. Isso dá motivação.

Nesse início de ano o repertório de gols está variado, teve até cavadinha com a perna direita…

Foram três gols muito bonitos. Principalmente esse terceiro, porque treino bastante esse movimento. Fico até um pouco depois do aquecimento treinando. É muito bom quando sai no jogo. As coisas têm saído bem não só para mim, mas para o time.

Além do Bruno Henrique, você teve diversos companheiros no ataque este ano, como o Pedro, Michael… Como está sua adaptação aos novos companheiros?

O Bruno já é um companheiro de longa data, e isso facilita. Mas jogar ao lado de jogadores bons é mais fácil. O entrosamento vem aos poucos, nos treinos e jogos.

O Michael parece que foi adotado como um filho por todo o elenco…

É (risos). Ele é um cara muito engraçado, extrovertido, sempre brinca bastante. Também foi um cara que escolheu estar no Flamengo. Esperamos que ele possa nos ajudar muito.

Nesta sexta tem convocação para seleção brasileira. Vai ficar curioso para acompanhar a divulgação da lista?

Confesso que não fico muito ansioso sobre isso. Tento pensar jogo após jogo, porque quero sempre fazer gols e fazer meu time vencer. Meu foco é na Libertadores, mas claro que todos os jogadores vão acompanhar a convocação. Mas também temos um clássico (com Botafogo) no sábado. Então, vamos uma coisa de cada vez. Se vier, vou ficar muito feliz.

A idolatria que as crianças, até de outros clubes, têm por você se intensifica a cada dia. Sabe como explicar isso?

É sempre muito legal esse carinho, fico muito feliz. Espero retribuir em campo de alguma forma quando entro em campo e eles vêm comigo. Tento acompanhar nas redes sociais algumas coisas também e me comunicar. Não busquei isso, foi algo natural que eu espero que continue. Eu sou desse jeito, sou brincalhão, gosto de me divertir. Não sei se isso influencia. Tem a comemoração também, os gols… Levo isso numa boa e tento não mudar para poder ser um exemplo.

Qual avaliação você faz da imitação do mister da sua comemoração de gol?

Eu vi o vídeo (risos). Apesar de ser sério, ele também brinca com a gente, se diverte. Ele imitou a minha comemoração e a do Gerson. Espero que ele fique muito feliz.

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Gabigol e Jesus, Flamengo

Você é muito próximo a ele, é possível vê-los juntos muitas vezes. Se criou uma relação de amizade além do campo?

Sim. Somos próximos, temos uma amizade fora de campo também. Claro que já o respeito a ele como treinador. Acho muito legal essa paixão que ele tem de vencer, vencer e vencer. Talvez isso também nos deixe mais próximos.

Vai ter visual novo para a estreia na Libertadores?

Ainda não sei (risos). Pode ser que apareça alguma coisa nova.

Fonte: Globoesporte