Operação prende capitão da PM e mais cinco suspeitos de erguer condomínio ilegal da milícia na Taquara

Um capitão da PM e mais cinco suspeitos foram presos em uma operação contra uma milícia envolvida em construções ilegais de condomínios na Zona Oeste do Rio de Janeiro na manhã desta quarta-feira (11) .

A Operação Condomínio Fechado do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e das polícias Civil e Militar era para prender sete pessoas, mas um homem conseguiu fugir.

Segundo as investigações, a quadrilha construiu um condomínio clandestino de casas na Estrada do Curumaú, na Taquara, em Jacarepaguá – em uma área de conservação ambiental. A construção começou em 2012.

Equipes do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ), da Corregedoria da PM e da Subsecretaria de Inteligência da Polícia Civil também foram para Itaboraí, na Região Metropolitana e para Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Promotor do Gaeco, Michel Zoukas, afirmou que foram apreendidos documentos que vão fortalecer as investigações.

“Houve abertura de ruas, construção de casas, tudo isso sem autorização do poder público”, explicou.

Segundo a denúncia, terrenos na região eram vendidos a até R$ 40 mil, e casas prontas a R$ 100 mil. “Os anúncios eram feitos via mídias sociais, pessoalmente a compradores interessados ou pelo WhatsApp”, exemplificou.

Denúncia em maio

As investigações que levaram à operação desta quarta começaram em maio do ano passado, a partir de uma reportagem do RJ1.

Na ocasião, a TV Globo mostrou um homem negociando os imóveis clandestinos. Trata-se, segundo o MPRJ, do capitão Vitor Alexandre Silveira de Araújo, um dos presos nesta quarta. Ele serve ao Batalhão Especializado de Policiamento em Estádios.

No vídeo, feito com câmera escondida, Araújo dizia ser policial militar.

Vitor chegou a ser preso e condenado, junto com outros três PMs, a 13 anos e 10 meses de prisão. O crime foi uma extorsão a um frequentador da Vila Mimosa, famosa região de prostíbulos no Rio de Janeiro, em 2010.

Araújo recorreu e foi absolvido por desembargadores da 5ª Câmara Criminal.

Casa de quase R$ 100 mil

Em maio, o capitão Araújo chegou a dizer que conseguia entregar uma casa por R$ 92 mil.

“Pra construir a gente vai construindo aos pouquinhos, mas a gente tem uma empreiteirazinha aí que a gente consegue entregar uma casa pronta por R$ 92 mil. A gente está conseguindo esse preço à vista. Parcelado sobe um pouquinho mais”, comentou.

O capitão ainda faz questão de informar que o local tem toda a infraestrutura: “A gente está puxando a instalação da Light agora, rede nova.”

Araújo disse ainda que não havia registro de posse, mas assegurou que a construção não havia sido fruto de invasão.

“Não é posse. Não é invasão. Não é nada disso. Isso aqui é um sítio que foi desmembrado”, afirmou ele, que ainda disse que a região era segura, sem presença de tráfico ou milícia.

Documentos frios e ameaças

O MP afirma ainda que a quadrilha forjou documentos para tentar demonstrar que o terreno estava legal.

“Criaram uma assembleia que não existiu”, disse o promotor Michel Zoucas.

O MP também destaca que os moradores eram constantemente ameaçados. “Eram cobranças de taxas de serviços que entendemos como extorsões”, destacou Zoucas.

Outro preso nesta quarta, Ricardo de Souza Negrellos da Silva chegou a abrir uma construtora para atuar no loteamento clandestino.

A Allar Construções, Reformas e Terraplanagem não tem sede própria nem funcionários registrados, segundo o MP.

Intimidação a autoridades

O MP afirma que vários lotes foram vendidos ilegalmente por Maria das Graças Silva de Oliveira e por Carlos Alberto Ramos.

A denúncia enfatiza que Carlos Alberto, acompanhado de policiais militares, chegou a intimidar moradores. Os dois já se tornaram réus.

A ação pedia a derrubada das construções e o reflorestamento da área. Em 2012, a prefeitura emitiu dois editais de demolição, mas não foram avante.

O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e a prefeitura alegaram “que a demolição não foi possível, diante da atuação de grupos de milícias e de ameaças a fiscais”, e outras providências não foram tomadas.

Desde então, o condomínio foi crescendo. Mesmo diante de todas as irregularidades, em 2018 o então vereador Chiquinho Brazão – do MDB e atualmente deputado federal do Avante – pediu à prefeitura iluminação pública para o condomínio.

Via: G1

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