Mário rebate Jesus, do Flamengo, sobre Maracanã: “Talvez não tenha estudado a história do Fluminense”

Presidente do Fluminense, Mário Bittencourt rebateu à reclamação de Jorge Jesus de que outros clubes além do Flamengo também mandam jogos no Maracanã. Em entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira, após a inauguração da placa com o nome do CT Carlos Castilho, o dirigente tricolor respondeu ao treinador rival:

– Lamentáveis (as declarações). Primeiro, porque ele chegou no Brasil na semana passada. Talvez não tenha estudado a história do Fluminense, do Fla-Flu. Não sei nem se ele sabe que existe uma parceria entre os dois clubes. Costumo dizer que quando o time está ganhando, tudo que se fala o pessoal acha bonito. Se a situação lá estivesse ruim, ele estaria preocupado em falar outras coisas.

– Eu acho sinceramente que não é um treinador que vem de fora do Brasil que vai dizer agora o que acha ou como o Maracanã deve ser utilizado e as regras do futebol brasileiro. Têm que ter um pouquinho de limite as coisas que ele fala – afirmou Mário, que completou:

– Queria entender qual motivo de que só o Flamengo pode jogar no Maracanã. Todos os clubes podem jogar no Maracanã. Todos os clubes do futebol brasileiro. Eu acho que deveria ser dito ao treinador que falou isso que o Santos, de Pelé, foi campeão no Maracanã. Que o Santos optava em jogar no Maracanã, jogou a final com o Benfica no Maracanã. Ele deveria saber isso, que o Maracanã é um estádio que hoje tem uma parceria, é administrado pelo Flamengo e Fluminense.

Jesus emitiu sua opinião em entrevista coletiva após a vitória do Flamengo sobre o Barcelona de Guayaquil na última quarta-feira, pela Libertadores. O técnico criticava o estado do gramado do estádio e disse ser impossível um campo em bom estado com mais de uma equipe jogando nele:

Dupla Fla-Flu administra o Maracanã há quase um ano

– Se o mando é do Flamengo, tem que mandar. Mas não manda nada. Paga, mas não manda nada. Este gramado do Maracanã não favorece em nada os jogadores do Flamengo. Por isso, não jogamos como queremos em termos de velocidade. O gramado não tem qualidade. Mas não podemos criticar muito quem cuida. Joga Flamengo, Fluminense, Vasco… Não há gramado que resista. Não podem jogar três equipes em um gramado, nem duas – afirmou, na ocasião.

Na mesma entrevista coletiva, Mário fez um discurso em defesa de todos os clubes:

– Já não é a primeira coisa que se fala sobre isso. Não só com relação ao Fluminense, mas também muitas vezes, na minha opinião, com desmerecimento dos grandes clubes do futebol brasileiro. E aí eu incluo Vasco, Botafogo e clubes dos outros estados. Os clubes do futebol brasileiro não se formaram sem os outros. O Fluminense não existe sem os seus adversários. O que seria de nós se não fosse o Flamengo, Vasco, Botafogo, Santos, o Grêmio, o Internacional…? Com todos esses clubes a gente tem jogos épicos, históricos, decisivos. A história desse clube é recheada por grandes confrontos.

– Acho que está passando do limite essa questão de menosprezar os outros clubes que formaram a belíssima história desse futebol, que é o futebol brasileiro. O Brasil foi campeão do mundo cinco vezes com jogadores de vários clubes, até com clubes de menor expressão, que também são importantes. Tem muitos jogadores da base que a gente capta em times menores. Os clubes considerados pequenos também são muito importantes para o futebol brasileiro.

O presidente também aproveitou o assunto e classificou como “modinha” a valorização dos técnicos estrangeiros no Brasil:

– Eu lamento sinceramente que um treinador estrangeiro… Vai um recado também, não só para nós, que trabalhamos com futebol, mas também para o torcedor: agora virou modinha, se não é brasileiro ou se fala espanhol, ele é melhor que tudo que está aqui. Seja treinador, seja profissional, jornalista, seja tudo. Tudo que é de fora é genial, é melhor. Mas com todo respeito que eu tenho aos meus antepassados, até porque sou neto de português, Portugal continua capinando para jogar mais futebol do que o Brasil até hoje. A gente precisa olhar mais para cá e parar com essa história.

Por fim, Mário deixou claro que sua resposta era para Jesus, e não ao Flamengo:

– Aqui, tudo que estou falando é em referência ao profissional, não à instituição. Nossa relação com o Flamengo é ótima, minha relação com o presidente e diretoria do Flamengo é ótima. O Flamengo tem sido realmente um parceiro correto conosco e leal. E nós também com eles. As pessoas passam, as instituições ficam. Tudo que estou falando aqui também vai passar.

A dupla Fla-Flu administra o Maracanã desde 12 de abril do ano passado, quando assinou com o Governo do Estado do Rio de Janeiro um termo de permissão para gestão do estádio por seis meses. O contrato foi renovado em outubro por mais seis meses, com duração até abril de 2020.

Na prática, a gestão é compartilhada, mas formalmente o acordo é só com o Flamengo. Como o Fluminense não tem certidões negativas de débito (CND), o Tricolor atua como interveniente. O Rubro-Negro é o único clube carioca habilitado a se candidatar no Plano de Manifestação de Interesse (PMI), e a tendência é que ele se inscreva para tentar gerir o Maracanã pelos próximos 35 anos.

Fonte: Globoesporte

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