Jornal Povo

Eleições diretas no Vasco correm risco de não acontecerem em função da pandemia

As paralisações exigidas pelo combate ao novo Coronavírus podem trazer frustrações ao vascaíno para além do futebol. A tão aguardada eleição para a presidência do clube, prevista para novembro, pode não acontecer este ano. Se ela é incerta, a possibilidade de o clube ter em 2020 suas primeiras eleições diretas da história, é algo ainda mais remoto.

É que para que as diretas aconteçam, o texto precisa ser aprovada em Assembleia Geral Extraordinária (AGE), com a presença de todos os sócios. Uma aglomeração que não é cogitada, nem recomendada no curto prazo. Talvez nem no médio. E esta votação precisa acontecer até o fim de julho, antes da formação da Junta Eleitoral, que deve acontecer na segunda quinzena de agosto, de acordo com o Estatuto do clube.

“No momento, a incerteza é total. E há uma grande expectativa pelas eleições diretas”, diz Luis Manoel Fernandes, membro do comitê da reforma do estatuto.

O que seria mais importante para o Vasco, eleições este ano ou que elas sejam diretas, mesmo que ano que vem? Foi uma das perguntas que o blog fez:

“Não ter eleições diretas seria uma grande frustração para os sócios e para os torcedores, mas ainda é precipitado projetar um cenário”, avalia.

O presidente da AGE, Faués Jassus, conhecido como Mussa, afirma que trabalhará para que os sócios sejam consultados de forma “limpa e transparente”:

– Como presidente da Assembleia Geral, farei o que estiver ao meu alcance para que a consulta ao sócio – sobre as diretas e o estatuto – e a eleição aconteçam de forma limpa e transparente. O vascaíno não aguenta a judicialização das eleições.

Dois procedimentos conduzem a aprovação da eleição direta. Um, com a apreciação da reforma do estatuto, já aprovada no Conselho Deliberativo. E outro, com a análise de um pedido feito por um quinto dos sócios, por meio de um abaixo-assinado, organizado pelo movimento “Nova Resposta Histórica”.

Para a votação deste último, a AGE teria de fazer a checagem dos nomes de todos os sócios que assinaram (cerca de 1.100 pessoas). Isso leva tempo e organização.

Para votar a reforma, também é necessário tempo. O texto precisa ser disponibilizado para leitura dos sócios a tempo da votação, que não se sabe quando e se acontecerá.

“Acho que um mês é o razoável para que todos tenham conhecimento, que possam ler o texto da reforma”, pondera Fernandes.

Para Mussa, a checagem das assinaturas não deveria ser um processo trabalhoso:

– O Vasco da Gama é um clube que nasceu do povo e possui uma história onde sua torcida e seus sócios sempre o ajudaram quando ele precisou. Foi assim na construção de São Januário e, mais recentemente, na maior associação em massa de sócio-torcedor do Brasil – um dos dez maiores do mundo. Isso mostra a grandeza do vascaíno. O abaixo assinado da Nova Resposta Histórica é um desses movimentos e cabe ao Presidente da Assembleia Geral do Vasco ser o porta voz dos sócios. Logo, é meu papel acatar o pedido do sócio que se mobilizou, de acordo com o Estatuto. A validação das assinaturas passa pelo problema da lista de sócios e serão analisadas sob a luz do Estatuto. Checar um abaixo-assinado de sócios vascaínos não pode, ou deveria, ser um processo trabalhoso.

E se as eleições não acontecerem este ano?

Alguns cenários possíveis são: prorrogação do mandato do atual presidente, Alexandre Campello, até que ocorra o novo pleito, ou a formação de um comitê temporário para governar o clube até que as eleições possam ser marcadas.

Quem forma a Junta eleitoral?

Os presidentes dos quatro poderes do clube e o presidente. São eles: Faués Jassus (Assembleia Geral), Roberto Monteiro (Conselho Deliberativo), Silvio Godoy (Conselho de Beneméritos), Edmilson Valentim (Conselho Fiscal) e Alexandre Campello (presidente).

Fonte: Globoesporte