Mensagens, filmes e rotina prazerosa: as sugestões do psicólogo do Botafogo em tempos de pandemia

“Serão semanas duras, serão semanas difíceis”, disse o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta em entrevista coletiva na última sexta-feira, dia 3 de abril. Pensando justamente em como tornar essa rotina menos penosa para os jogadores, o psicólogo do Botafogo, Paulo RIbeiro, tem aumentado o trabalho remotamente, assim como todos os outros funcionários do departamento de futebol.

Apesar das férias dadas até o dia 20 de abril, não é esse o sentimento que fica entre atletas e profissionais da comissão técnica. No período de quarentena os jogadores têm tentado manter a forma seguindo a cartilha que foi passada pela preparação física. Mas não é só com o vigor e os músculos que os atletas têm que se preocupar. Ficar tranquilo com a parte mental também é essencial, até mesmo para poder aproveitar ainda mais a família nesse período conturbado.

– É bem importante que o atleta perceba que estar em casa neste momento é algo único. Eles têm, ao longo do ano, 70 jogos, viagens, concentrações… Qual o tempo que ele tem para estar com a família, para curtir a vida do filho ou da filha? Essa é uma luz que a gente tem passado e da importância de ele desenvolver uma rotina que seja bacana, que seja prazerosa. Coisas que ele não conseguiria fazer se estivesse trabalhando, viajando, disputando campeonatos.

Com o trabalho distante do dia a dia de treinos e atividades no Nilton Santos, Paulo Ribeiro busca manter o contato da mesma forma que muita gente tem feito: com o auxílio da tecnologia. Tendo o foco principal em grupos de WhatsApp, o psicólogo consegue mandar mensagens para os atletas e tem tido auxílio da assistente social do clube, até para poder ajudar com os estrangeiros e quem mora sozinho no Rio de Janeiro.

Além das mensagens de apoio e para ver se está tudo bem com os pacientes, Paulo também sugere filmes. Alguns com pegadas mais reflexivas, outras com um teor de superação ou que passe um recado de apoio, de vez em quando envolvendo o mundo esportivo, como é o caso do filme Coach Carter, com Samuel L. Jackson.

– O nosso trabalho fica nesse sentido, mensagens de orientação, filmes que eu separo e envio para que eles possam assistir no período mais livre do dia. E estando sempre à disposição. Eles têm meu telefone e podem me contatar para qualquer eventualidade. Até agora não aconteceu nenhum caso específico, que demandasse um trabalho mais particular ou individualizado. Por enquanto está funcionando dessa forma.

Pedro Raul tem mantido a rotina de exercícios, mas a rotina dos jogadores não se prende apenas à parte física — Foto: Reprodução/Instagram
Pedro Raul tem mantido a rotina de exercícios, mas a rotina dos jogadores não se prende apenas à parte física — Foto: Reprodução/Instagram

Além da incerteza que envolve todo o país, os jogadores também não sabem como vai ser o restante do ano para eles. Afinal, o Campeonato Carioca termina? Se sim, quando? O Brasileirão vai começar que dia? E terminar? São muito mais perguntas do que respostas no momento, mas o papel do psicólogo passa por tentar tranquilizar os jogadores neste momento. Além, disso, é importante que o atleta consiga ter momentos de prazer enquanto espera isso tudo passar.

– A gente sempre busca deixar uma mensagem para que eles consigam, na medida do possível, fazer uma rotina agradável, criativa, que não necessariamente os obrigue a fazer algo todo dia porque hoje tem uma ditadura de que você é obrigado a fazer muita coisa durante todo seu dia. E eu discordo um pouco disso. Você pode estabelecer uma rotina, mas também tem que criar um momento de lazer e descanso, como se estivesse em um período normal. Eu não tenho que fazer essa rotina ser uma rotina exaustiva. Ela precisa ser, sobretudo, prazerosa.

 — Foto: Divulgação

Fonte: Globoesporte

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