Você sabia? Melhor goleiro da Copa de 1994 chegou a ir ao Rio para fechar com o Fluminense

Muito antes do flerte com Buffon, outro goleiro considerado um dos maiores de sua época esteve bem mais próximo do Fluminense do que o italiano da Juventus: Michel Preud’homme. A geração mais nova sequer conhece o astro da seleção da Bélgica, que disputou duas Copas do Mundo e foi eleito o melhor de sua posição no Mundial de 1994 nos Estados Unidos, onde o Brasil foi campeão.

Cinco anos depois de Romário, Bebeto e companhia conquistarem o tetra, Preud’homme estava se aproximando do fim de seu contrato no Benfica, de Portugal, e prestes a completar seu 40º aniversário quando foi procurado pelo Fluminense. A idade avançada não assustava os tricolores, que tinham o exemplo do italiano Dino Zoff, jogador mais velho a ser campeão mundial também aos 40 em 1982.

– Preud’homme é o meu novo Rivelino, é goleiro da década. Nem Taffarel, que foi o herói da Copa em 94, conseguiu superá-lo – disse Francisco Horta, então vice-presidente de futebol tricolor, ao jornal “O Globo” do dia 7 de janeiro de 1999.

Jornal "O Globo" do dia 7 de janeiro de 1999 destacava a contratação de Preud'homme — Foto: Reprodução / O Globo
Jornal “O Globo” do dia 7 de janeiro de 1999 destacava a contratação de Preud’homme — Foto: Reprodução / O Globo

A expressão “novo Rivelino” (na época escrito com um “L” só), em alusão à contratação do ídolo que iniciou a montagem da Máquina Tricolor nos anos 70, virou até a manchete do cadernos de esportes do jornal “O Globo”. O goleiro, de 1,82 m de altura e 75 kg, chegou a viajar para o Rio de Janeiro no dia 6 de janeiro para fechar com o Fluminense por dois anos e com salário de R$ 60 mil.

Estava praticamente tudo certo. Preud’homme ficou encantado com a cidade, chegou a dizer que “não existe lugar mais bonito”, e o idioma tampouco seria problema. Após quatro anos no Benfica, o goleiro já falava português fluentemente e chegou a conversar com a imprensa no hotel em que ficou hospedado por dois dias no Rio. Veja o bate-papo publicado pelo jornal “O Globo” do dia 7 de janeiro:

Entrevista com o goleiro belga publicada pelo jornal "O Globo" também no dia 7 — Foto: Reprodução / O Globo
Entrevista com o goleiro belga publicada pelo jornal “O Globo” também no dia 7 — Foto: Reprodução / O Globo

Porém, Preud’homme sequer chegou a vestir a camisa tricolor. O motivo? Segundo o próprio jornal “O Globo” divulgou no dia seguinte, foi a não liberação do Benfica. O clube português teria ficado irritado ao descobrir a viagem do goleiro para o Rio sem autorização e ameaçado ir à Fifa se ele assinasse qualquer documento com o Fluminense.

Vinte e um anos depois, Horta minimiza a frustrada negociação. Em contato com o GloboEsporte.com, o ex-vice de futebol da gestão David Fischel diz que o motivo foi só financeiro, pois o goleiro teria proposta mais vantajosa na própria Europa. E negou que tenha tentado trazer o astro novamente em julho de 1999, intenção que a imprensa carioca noticiou logo após o retorno do belga para Portugal:

– Foi ele que não pôde ficar aqui por causa de uma proposta superior na Europa. Foi meramente questão financeira. Depois não tentamos, ele estava muito velho, tinha que ser naquele momento ou nunca mais. Não fiquei frustrado na época. Se viesse seria uma atração a mais, mas o objetivo foi alcançado, que era voltar para a Série A.

No dia 8 de janeiro de 1999, jornal "O Globo" já noticiava a reviravolta na negociação — Foto: Reprodução / O Globo
No dia 8 de janeiro de 1999, jornal “O Globo” já noticiava a reviravolta na negociação — Foto: Reprodução / O Globo

Sim, aquele foi um ano duro para o Fluminense, que pela primeira vez em sua história iria disputar a Série C do Campeonato Brasileiro. Mas nada que impedia o clube de ser ousado no mercado, mesmo antes da “Era Unimed”. Buscou o técnico tetracampeão Carlos Alberto Parreira; contratou o atacante Túlio Maravilha; tentou Djair; abriu negociações com o meia Nicola Berti, da seleção italiana…

Parreira não chegou a encontrar Preud’homme. Enquanto o goleiro desembarcava no Rio, o técnico tricolor na época já estava em Valença, no interior do estado, na pré-temporada do elenco. Mas ele conhecia bem o belga pela Copa de 94. Ao GloboEsporte.com, o ex-treinador admite ter poucas lembranças dessa história, mas recorda que não criou expectativa, embora apostasse na contratação:

– Lembro do fato, mas não sei porque não caminhou. O Horta era muito hábil nas negociações, nem lembrava que ele tinha vindo ao Rio. No futebol não adianta ficar antecipando situações, então não criei expectativa. Mas ele teria dado certo (no Fluminense), a gente precisava de ídolo, de nome, e ele era um senhor goleiro.

Preud'homme virou técnico em 2000 e seu último clube foi o Standard de Liège, da Bélgica — Foto: Getty Images
Preud’homme virou técnico em 2000 e seu último clube foi o Standard de Liège, da Bélgica — Foto: Getty Images

Preud’homme retornou para o Benfica e no mesmo ano se aposentou dos gramados para dar início à carreira de treinador. Sem o goleiro belga, o Fluminense em 1999 não teve uma grande temporada. Terminou em terceiro lugar no Campeonato Carioca, caiu na segunda fase da Copa do Brasil e na fase de grupos do Rio-São Paulo. Mas cumpriu sua obrigação ao ser campeão da Terceira Divisão, recolocando o clube no caminho de volta à elite do futebol no país no ano seguinte.

Fonte: Globoesporte

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