Paulo Marinho diz ter provas de que delegado da PF avisou Flávio Bolsonaro de operação contra Queiroz nas vésperas da eleição

ALEXANDRE RAMAGEM QUE O PRESIDENTE TENTOU EMPLACAR NA DIREÇÃO DA PF ERA O DELEGADO CHEFE DA OPERAÇÃO FURNA DA ONÇA QUE INVESTIGOU ENTRE OUTROS O “CASO QUEIROZ”

Bolsonaro e Ramagem confraternizam na posse do então novo diretor da Abin 11/07/2019 REUTERS/Adriano Machado

O empresário e suplente de senador Paulo Marinho afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PSL) foi avisado com antecedência por um delegado da Polícia Federal sobre a deflagração da Operação Furna da Onça, que culminou na prisão de diversos parlamentares do estado do Rio em novembro de 2018.

Marinho, de 68 anos, foi um dos principais apoiadores da campanha presidencial de Jair Bolsonaro. A informação foi divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo. Segundo ele, um delegado da Polícia Federal tentou entrar em contato com o senador Flávio Bolsonaro por meio de telefone. O empresário, no entanto, não revelou o nome do delegado.

Ainda de acordo com as informações de Marinho, o coronel Miguel Braga, chefe de gabinete do parlamentar, acompanhado do advogado Victor Alves e de Val Meliga, ex-presidente do PSL no Rio e irmã de dois milicianos, encontraram o delegado na porta da Superintendência da Polícia Federal do Rio de Janeiro, na Praça Mauá, Zona Portuária da cidade.

Segundo Marinho, o delegado saiu da superintendência, encontrou os três na calçada e fez a seguinte afirmação:

“Vai ser deflagrada a operação Furna da Onça, que vai atingir em cheio a Assembleia Legislativa do Rio. E essa operação vai alcançar algumas pessoas do gabinete do Flávio. Uma delas é o Queiroz e a outra é a filha do Queiroz (Nathalia), que trabalha no gabinete do Jair Bolsonaro (que ainda era deputado federal) em Brasília”. “Nós vamos segurar essa operação para não detoná-la agora, durante o segundo turno, porque isso pode atrapalhar o resultado da eleição (presidencial) ”, teria dito o delegado, segundo Marinho.

O empresário afirma na entrevista que o delegado, identificando-se como adepto e simpatizante da campanha presidencial de Jair Bolsonaro, recomendou providências e essas vieram na forma das demissões de Queiroz e sua filha, ambos exonerados no dia 15 de outubro de 2018.

Nathalia foi exonerada do cargo no gabinete de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados no mesmo dia em que Fabrício José Carlos de Queiroz foi exonerado do gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Jair Bolsonaro venceu as eleições no dia 28 de outubro e a Operação Furna da Onça foi deflagrada no dia 8 de novembro.

De acordo com Marinho, as revelações foram feitas a ele pelo próprio Flávio, em 13 de dezembro de 2018, quando a Furna da Onça já havia sido realizada.

Segundo Marinho, Flávio Bolsonaro afirmou ter parado de falar com Queiroz. Ainda de acordo com o empresário, o presidente Jair Bolsonaro foi informado sobre a situação por Gustavo Bebbiano.

Em nota, Flavio Bolsonaro negou as acusações:

“O desespero de Paulo Marinho causa um pouco de pena. Preferiu virar as costas a quem lhe estendeu a mão. Trocou a família Bolsonaro por Dória e Witzel, parece ter sido tomado pela ambição. É fácil entender esse tipo de ataque ao lembrar que ele, Paulo Marinho, tem interesse em me prejudicar, já que seria meu substituto no Senado. Ele sabe que jamais teria condições de ganhar nas urnas e tenta no tapetão. E por que somente agora inventa isso, às vésperas das eleições municipais em que ele se coloca como pré-candidato do PSDB à Prefeitura do Rio, e não à época em que ele diz terem acontecido os fatos, dois anos atrás? Sobre as estórias, não passam de invenção de alguém desesperado e sem votos”.

A operação

O objetivo da operação era investigar a participação de deputados estaduais do Rio de Janeiro em um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e loteamento de cargos públicos e mão de obra terceirizada em órgãos do Governo do Estado do Rio de Janeiro.

Foi durante essa ação que os investigadores chegaram ao nome de Fabrício Queiroz. Os promotores federais responsáveis pela investigação que ele operava um esquema de “Rachadinha”. Por meio dele, funcionários do gabinete de Flávio Bolsonaro – então deputado estadual no Rio de Janeiro – eram obrigados a devolver uma parte de seus salários.

Queiroz seria o principal operador do esquema – segundo relatório do Comitê de Acompanhamento Financeiro (Coaf), ele movimentou R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017.

PGR pede para PF ouvir Marinho e chefe de gabinete Flávio em inquérito de Bolsonaro

A PGR também pediu que a PF ouça, na mesma investigação, Miguel Ângelo Braga Grillo, chefe de gabinete de Flávio Bolsonaro desde 2007.

O empresário Paulo Marinho afirmou que o filho do presidente Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, foi informado previamente por um delegado da Polícia Federal que o seu então assessor, Fabrício Queiroz, seria alvo de uma operação. A informação foi dita pelo próprio empresário ao jornal “Folha de S. Paulo”. 

No ofício, a PGR solicitou acesso à cópia integral do inquérito conduzido pela PF “que teve por objeto a apuração de supostos vazamentos relativos à operação ‘Furna da Onça'”. Segundo o órgão, a conclusão foi que não houuve vazamentos. 

O pedido da PGR foi feito pelo procurador da República João Paulo Lordelo, membro auxiliar do gabinete de Augusto Aras que está envolvido no inquérito de Bolsonaro. A investigação envolvendo o presidente foi aberta depois que o ex-ministro Sergio Moro denunciou suposta intervenção de Bolsonaro na PF.

Editado por: Rogerio Sant’ana (Editor Chefe)

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