Perseguição implacável contra o deputado Max Lemos em Nova Iguaçu

O presidente regional do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) no estado do Rio, Leonardo Picciani, o Léo, que perdeu a reeleição para deputado federal em 2018, desencadeou uma implacável perseguição política, com recheio de hostilidades, contra o deputado estadual Max Lemos, que é pré-candidato à prefeitura de Nova Iguaçu e estava na legenda desde 1995, portanto, havia 24 anos.
Movido pelo ódio, não respeitando o Estatuto e o Programa do partido, Léo declarou apoio à reeleição do prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa, que é de outra sigla e investigado pela operação Lava Jato, e a outro adversário de Max no município de Queimados. Ele ainda tirou o
parlamentar de Comissões Permanentes da Assembleia Legislativa (Alerj) e entrou na justiça, alegando infidelidade partidária, para tomar o mandato do deputado.

Nova Iguassu Online – De olho na baixada

Desmonte do MDB

A perseguição começou quando o MDB entrou em crise com os escândalos de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa na política brasileira. O partido começou a ser desmontado, principalmente com a instalação da Lava Jato em 17 de março de 2014. Em 5 anos houve quase 300 condenações, mais de 600 réus, mais de 200 presos e 3 mil anos de
prisão somadas até o momento. A legenda do MDB foi a segunda mais castigada dentre os 33 partidos no Brasil e a primeira em perda de filiados: além de vereadores, prefeitos, deputados, governadores e senadores, até 2019, quase 270 mil membros haviam se desfiliado do partido.
No Rio, foram presos os principais líderes do partido: deputado Jorge Picciani, presidente regional, pai de Leonardo e presidente da Alerj, além dos governadores Sérgio Cabral, Luiz Pezão e vários parlamentares. O partido perdeu metade dos diretórios no Rio e os que sobreviveram são todos com comissões provisórias – que podem ser dissolvidos a qualquer momento, de acordo com a vontade do presidente. Preso e sem mandato, o mandachuva Picciani passou o bastão da presidência para o filho Leo continuar a “dinastia piccianiana”, que já durava quase 10 anos. Na eleição seguinte (2018) os eleitores rejeitaram a legenda e os filhos, Leonardo e Rafael Picciani (estadual) foram derrotados.

Perseguição

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O ambiente de perseguição e hostilidades a Max continuou com as declarações de Leonardo Picciani à imprensa, dizendo que o deputado, apesar dos 24 anos no partido, não seria candidato a prefeito pelo MDB nem em Nova Iguaçu e em nenhum lugar do estado. Ao mesmo tempo, confirmava seu apoio à reeleição do prefeito da Cidade, Rogério Lisboa, que é de outra legenda e investigado pela Lava Jato. A este, Léo entregou o partido para fazer o que bem entender. Em abril foram indicados para compor a Comissão Executiva provisória do partido o vereador Renato Gomes Correa (Renato do Mercado), presidente; Marcos Aurélio Rocha da Costa, tesoureiro; e os membros Antônio Rabelo, Jackson Pires Flor e Vanderlei Rodrigues Todosaliados de Lisboa. Sem o nome de Max e de ninguém indicado por ele.
Em Queimados, onde Max foi prefeito reeleito com 93% dos votos e elegeu o sucessor, Leonardo apoia o adversário deles. A sua interferência também teria “melado” a aliança que o PDT ofereceu a Max Lemos para ser candidato pelo partido a prefeito de Nova Iguaçu. Max, sem espaço dentro do MDB, entrou na justiça pedindo desfiliação, justificando, com farta documentação, a “infidelidade do partido” por este não seguir as diretrizes estatutárias e programáticas.
Junto a isso, depoimentos testemunhais de parlamentares e de membros do partido. A perseguição se tornou ainda mais implacável quando o deputado aceitou o convite de dirigentes tucanos e ingressou no PSDB. Leonardo o tirou da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Alerj e recorreu à justiça eleitoral para tomar o seu mandato.

Destituição de Leonardo

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Vale lembrar que Max Lemos, mesmo com o desgaste do MDB em nível nacional, venceu as eleições para estadual, sendo inclusive o mais votado do partido em Nova Iguaçu. Diante da crise, ainda tentou mobilizar as lideranças de base para rediscutir, repensar e repaginar os caminhos da legenda, tanto no Rio quanto no País. “O MDB precisa ser repensado. Não apenas no Rio, mas no Brasil. O partido é maior do que as pessoas. Consolidou a democracia brasileira.
Capitaneado pelo Ulysses Guimarães, foi fundamental para o momento que vivemos hoje. Se não for repensado e realinhado, os grandes quadros terão dificuldade de continuar”, defendeu Max à época, mas não foi ouvido. A iniciativa contou com apoio em vários estados, inclusive em Brasília (DF), através do governador Ibaneis Rocha.
Porém, no Rio, onde o partido perdeu metade dos diretórios, as lideranças queriam começar as mudanças pela destituição de Leonardo da presidência. Porém, orientado pelo pai, criou apenas comissões provisórias onde restou o MDB. Nessa modalidade, a presidência pode destituir a comissão quando desejar. Também pesava nas bases do partido, em favor da destituição, além da ditadura dos atos praticados por Léo, a acusação dando conta de que ele pediu propina a empreiteiros, conforme matéria divulgada na imprensa. Sem êxito na destituição do filho de Picciani, muitos aliados se afastaram da militância.

Repercussão negativa

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“Com a crise provocada pelas prisões, o deputado Picciani, que foi o “mandachuva do partido” por vários anos e detinha todas as articulações do MDB no Rio, passou o bastão para Leonardo, que era deputado federal, dando continuidade à dinastia política dos Picciani’,  comenta Hidelbrando José Figueira, 70 anos, morador de Nova Iguaçu e militante do MDB desde sua origem. “Mas o garoto não tem talento. Seguiu o pai, ao colocar o partido embaixo do braço e tomar decisões monocráticas, sem ouvir lideranças. Perdeu a reeleição para federal e o irmão também. Sem poder e sem mandato, Léo assumiu as dores da família, guardando ódio no coração”, completa seu Hidelbrando.
“O jovem Leonardo, certamente por orientação do pai, não cumpre o Estatuto e nem o Programa do partido. Chegou até a liberar vereadores do MDB para disputar eleições por outras legendas. Não pensou na infidelidade partidária. Agora acusa Max Lemos de infiel? Ouseja, a democracia só existe na sigla do partido”, lamenta o militante Galdino Ferreira Sorano, 62 anos, morador de Mesquita.
De fato, os vereadores Chiquinho Brasão (MDB-Rio) e Juninho do Pneu (MDB-Nova Iguaçu), disputaram as eleições pelo Avante e DEM, respectivamente. “Então porque não foram ameaçados pela agremiação, com perda de mandato, sob acusação de infidelidade partidária?” indaga Ubiratan Conrado de Moraes, 47 anos, empresário e morador de Nova Iguaçu. “Esse rapaz (Max) tinha 18 anos, quando se filiou ao PDT. Em 1995, eu me lembro, veio para MDB, de onde nunca mais saiu. Como então foi infiel, se permaneceu até agora e só saiu por perseguição política?”, completa a indagação.

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