RJ tem 266 denúncias por dia na Central 190 sobre crimes contra mulheres durante isolamento social, diz ISP
RJ tem 266 denúncias por dia no 190 de violência contra a mulher na quarentena, diz ISP

O Rio de Janeiro tem em média 266 denúncias por dia à Central 190 sobre crimes contra mulher durante o período de isolamento social.

Os dados foram obtidos com exclusividade pelo G1 através do Monitor da Violência contra Mulher durante a Pandemia, do Instituto de Segurança Pública do Rio (ISP-RJ). A ferramenta é inédita e foi inaugurada nesta sexta-feira (4).

RJ tem 266 denúncias por dia na Central 190 sobre crimes contra ...
RJ tem 266 denúncias por dia no 190

Foram contabilizadas ao todo 13.065 ligações para o 190 em 49 dias – o período analisado parte do dia 13 de março, data que o governo adotou medidas restritivas, até o dia 30 de abril. O índice representa um aumento de 12% no número de violência contra as mulheres se comparado com o mesmo período no ano passado.

O Monitor aponta ainda que os registros de ocorrência, feitos nas delegacias policiais, diminuíram. Segundo o ISP, a queda neste número pode ter sido provocada por conta da restrição à circulação das pessoas, resultando na subnotificação dos casos.

Para evitar subnotificações deste tipo de crime, a ferramenta confrontou dados obtidos em diversas plataformas. A diretora presidente do ISP-RJ, delegada Adriana Mendes, afirmou ao G1 que a análise dos diversos números proporcionou uma “visão ampla do fenômeno criminal”.

“O monitor foi idealizado e executado por mulheres do Instituto de Segurança Pública. Se verificou a necessidade de uma análise não só dos registros de ocorrência elaborados nas delegacias, mas também uma visão ampla do fenômeno criminal. Para termos uma visão ampla do crime, nesse período atípico de afastamento social, que há uma modificação na rotina das pessoas, é necessária uma análise de outras fontes de dados: como o 190 e o Disque Denúncia”, disse a delegada Adriana Mendes.

72,4% das mulheres que sofreram violência sexual estavam em casa

Apesar dos números totais de registros de crime terem diminuído durante a pandemia da Covid-19, a proporção das ocorrências em casa aumentou. Durante isolamento social, 72,4% das mulheres que sofreram violência sexual no RJ foram vítimas dentro de casa. Em 2019, esse índice foi de 55,4%.

Veja dados de ferramenta do ISP-RJ que monitora violência contra mulher durante a pandemia — Foto: Guilherme Luiz Pinheiro/G1
Veja dados de ferramenta do ISP-RJ que monitora violência contra mulher durante a pandemia — Foto: Guilherme Luiz Pinheiro/G1

A diretora da Divisão de Polícia de Atendimento à Mulher (DPAM), delegada Juliana Emerique, afirmou que as restrições impostas pela pandemia e o terror psicológico feito pelos agressores impediram uma amostra real dos crimes registrados nas delegacias.

“É muito importante nós frisarmos que além do aumento [de denúncias] no 190, estamos vendo a diminuição do número de registro de ocorrência, justamente pela impossibilidade dessa mulher ir a uma delegacia, uma Deam [Delegacia de Atendimento à Mulher] mais próxima. É importante fazer uma comparação com os números de 2019, que demonstram que as mulheres não estão indo por conta da pandemia”, afirmou a delegada.

Ela contou ainda que a Polícia Civil decidiu inaugurar um novo canal de atendimento para mulheres vítimas: Central 197. Ligando para o número, a mulher pode fazer o registro de ocorrência pelo telefone e não precisa sair de casa. Juliana Emerique disse ainda que muitas vítimas estão sofrendo o que chama de “violência sanitária”.

“A gente não quer que chegue na morte, no feminicídio. Para que isso não aconteça, a gente tem nessa época de pandemia (…) um serviço especializado no que tange às mulheres. É o número 197, que a pessoa pode fazer o registro pelo telefone. É uma inovação para essa época de pandemia”, disse Juliana Emerique.

“Muitas dessas mulheres podem estar sofrendo o que chamamos de violência sanitária. A agressão do marido, não tendo acesso a informação da Covid, impedindo o uso do álcool gel, fazendo com que essa mulher fique confinada, falando falsas notícias da Covid, falando coisas para controlar o comportamento da mulher”, completou a delegada.

Patrulha Maria da Penha da Polícia Militar do RJ — Foto: Jorge Soares/G1
Patrulha Maria da Penha da Polícia Militar do RJ — Foto: Jorge Soares/G1

PM ‘fiscaliza’ vítimas por chamadas de vídeo durante pandemia

A Polícia Militar teve que adaptar o atendimento da Patrulha Maria da Penha durante a pandemia do novo coronavírus (Sars-Cov-2). Máscaras foram adotadas pelos PMs e chamadas de vídeo foram usadas para “fiscalizar” mulheres vítimas de agressão que estão cadastradas no programa de atenção.

A sub-chefe de Políticas de Prevenção da PM, tenente-coronel Claudia Moraes, afirmou que o confinamento não é responsável pela violência, mas o machismo. Segundo ela, as pessoas devem intervir ao presenciarem uma agressão, seja física ou de qualquer outra natureza.

“Não é a pandemia, nem o confinamento responsável pelo aumento da violência nesse período. São os mesmos motivos de antes. É o machismo, é a desigualdade entre homens e mulheres, a ideia desse homem que acha que manda nessa mulher, que ela é propriedade dele”, afirmou Moraes.

“A violência doméstica não é silenciosa, ela faz barulho. Na verdade, parece que ela é silenciosa porque a gente tapa os ouvidos e não quer ‘meter a colher’. Neste momento agora, eu acho que é meter a colher sim e ligar para o 190. Em determinadas situações você pode ter salvado essa pessoa e essa família de até mesmo um feminicídio”, completou.

Fonte: G1

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