DEPUTADO BOLSONARISTA PAGA R$ 110 MIL EM DINHEIRO POR CONSULTORIA, MAS OMITE COMPROVAÇÃO DO TRABALHO

Há 11 meses, o deputado bolsonarista Daniel Silveira, do PSL do Rio de Janeiro, desembolsa de sua verba de gabinete R$ 10 mil em espécie para um escritório de advocacia de sua cidade, Petrópolis.

Os pagamentos são, segundo a prestação de contas do deputado, pela produção de projetos que ele apresenta à Câmara.

O gasto não tem razão: a Câmara tem à disposição dos deputados consultorias legislativas especializados em 22 áreas distintas, inclusive todas as que Silveira usa serviços privados.

O valor das consultorias pagas ao escritório do advogado Samuel Maciel, que não respondeu à coluna se tem experiência na produção de projetos legislativos, equivale a 20% do que o deputado gastou com a cota até maio deste ano.

A nota fiscal também informa que o advogado auxiliou na formulação de requerimentos e indicações para o presidente da República, medidas corriqueiras e que, em geral, são feitas pelos consultores da Câmara ou do próprio gabinete dos parlamentares.

Os consultores, sempre que demandados, elaboram estudos, notas técnicas, minutas de proposições e pareceres, relatórios e pronunciamentos parlamentares, entre outros trabalhos.

Ao todo, Daniel Silveira apresentou 33 projetos de lei desde que assumiu, em fevereiro do ano passado. Nenhum foi aprovado ou está perto de ser.

Procurado, o deputado não respondeu aos questionamentos da coluna, que pediu o conteúdo que comprovasse que as consultorias foram prestadas, nem explicou por que pagou em espécie ao advogado.

O advogado Samuel Maciel afirmou que não se manifestaria.

(Atualização, às 13h25 de 9 de junho de 2020: Procurado diferentes vezes desde a sexta-feira 5, Daniel Silveira entrou em contato nesta terça-feira com a coluna e afirmou que contratou o escritório de sua cidade “porque quis”, sem explicar se a banca tinha experiência na formulação de propostas legislativas. Sobre pagar todo mês R$ 10 mil em dinheiro vivo, Silveira disse que assim o fez porque “foi convencionado” entre ele e o advogado. O deputado não enviou nenhum comprovante de que a consultoria tenha de fato sido prestada, embora afirme que ela foi de fato feita).

Fonte: Época

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