‘Japeri ganhou muito pouco nesses 29 anos’, afirma Fernanda Ontiveros

A cidade de Japeri, na Baixada Fluminense, completa 29 anos de emancipação. A médica Fernanda Ontiveros, japeriense de origem e colunista do JORNAL POVO, concedeu uma entrevista onde fala do que precisa ser feito na cidade sob seu ponto de vista. Fernanda fala sobre a necessidade de se investir nos serviços básicos e trazer mais geração de empregos para o município. Para ela, Japeri precisa sair do posto de cidade-dormitório, reputação negativa construída por gestões públicas que passaram pela cidade e deixaram esse legado obscuro.

Acompanhe abaixo a entrevista na íntegra:

JORNAL POVO –  O que a população de Japeri ganhou nesses 29 anos de emancipação?

Dra. FERNANDA – “A população de Japeri ganhou muito pouco. Quando falamos de emancipação ela ganhou a oportunidade de ter sua independência: Política, econômica, cultural, social. Enfim, poder traçar o seu caminho. Mas, infelizmente quando avaliamos as gestões públicas que passaram pela cidade vemos que a cidade ganhou muito pouco. Ela não conseguiu atingir um nível mínimo de crescimento e desenvolvimento. Não conseguiu abrir janelas de oportunidade para a sua população. Mesmo após 29 anos de emancipação, Japeri continua sendo uma cidade-dormitório, sem oportunidades com relação a oferta de emprego e renda, visto que a cidade tem o comércio muito pouco estimulado. Aqui não tem uma boa evolução comparado com as cidades vizinhas. O comércio não consegue expandir, não há abertura de lojas maiores. Você acaba vendo as pessoas irem consumir em comércio das cidades vizinhas.  

Com relação a serviços públicos – digo em todas as esferas: Saúde, educação mobilidade urbana etc – você não vê na cidade. As pessoas acabam indo a cidades vizinhas para procurarem esses serviços básicos. Então, com isso vemos que ainda não evoluímos praticamente nada nesses 29 anos de cidade emancipada. A sensação é de que a cidade não nasceu, não aconteceu”.

JORNAL POVO –  Tem prefeito que aponta como legado a construção do presidio em Japeri. O que você acha disso?

Dra. FERNANDA – “Infelizmente existem grupos políticos que defendem a ideia de que isso trouxe desenvolvimento para a cidade. Eu respeito a opinião de todos que pensam assim, mas na minha opinião foi um grande retrocesso.  Inclusive, quando o Estado propôs a construção desse complexo presidiário em Japeri, a contrapartida era que o bairro que receberia esse complexo, que o Belo Horizonte, no bairro Engenheiro Pedreira, a proposta, segundo ouvíamos muito na cidade, é de que aquele bairro seria um bairro modelo com relação a infraestrutura. Teria asfalto, construção de praças, escolas, creches. E não foi nada disso que nós vimos. O que realmente aconteceu foi o impacto negativo dessa construção, que foi o crescimento desordenado do bairro sem nenhum tipo de infraestrutura. Tanto que, hoje o esgoto que vem desse presídio, ele praticamente forma um mar de lama no entorno de Engenheiro Pedreira, trazendo um impacto negativo para a população muito grande o ambiente e para a população.  Além disso o bairro também é visto com um índice muito grande de violência e de certa forma os moradores dizem que muitas pessoas que não eram moradores dali, que vieram do Rio de Janeiro por terem um grau de parentesco com quem está preso, que hoje já chegam a um número de mais de 3.500 lá no presídio.  Não vejo vantagem nenhuma a chegada desse complexo presidiário da cidade”.

JORNAL POVO –  Ainda há esperança de dias melhores para o cidadão japeriense?

DRa. FERNANDA – “Eu acho que sim. Ainda temos uma perspectiva muito grande de dias melhores para a cidade. Primeiro porque temos um orçamento de R$ 265 a R$ 270 milhões/ano.  Não é um orçamento insuficiente. Acho que com uma boa gestão que tenha ética, transparência, que crie projetos que realmente venham a contemplar as reais necessidades da população, acredito sim que a cidade possa acontecer e nascer de verdade.  Claro que ainda se precisa investir muito em infraestrutura, isso eu digo ainda com relação a saneamento básico. Precisa criar políticas que estimule o crescimento dos centros urbanos e principalmente com relação a políticas que sejam capazes de gerar emprego. A cidade tem entrada e saída do Arco Metropolitano, já tem um distrito industrial que precisa ser estimulado. A cidade tem um potencial eco turístico enorme que pode gerar renda além do orçamento para a cidade. Tem tudo para crescer sair desse posto de cidade-dormitório, para dar oportunidade à população que sai todos os dias nos trens da SuperVia e volta no final da tarde para a noite e praticamente tem que buscar seu sustento Rio de Janeiro a fora, e acaba usando a renda fora da cidade mesmo, seja para fazer compras, consulta médica. Perde muito qualidade de vida por ficar muito tempo dentro de transportes públicos lotados durante horas.  Tem tudo para dar certo. Mas, para que isso aconteça precisa de uma gestão que  esteja realmente interessada em ajudar a população”.

JORNAL POVO –  O que pode ser feito de forma imediata para melhorar a qualidade de vida do povo de Japeri

Dra. FERNANDA – “Acho que o que se tem que fazer de forma imediata é o básico, o arroz com feijão. Colocar as contas do município em dia, começar com os serviços básicos, que são saúde, educação. Enfim. Melhorar a mobilidade urbana, começar a tirar essa sensação de abandono na cidade.  Tem que começar com choque de ordem, organizando centros urbanos e melhorando o serviço público de saúde, para que possa ser feito de maneira mais emergencial. Precisamos da presença do Executivo de segunda a segunda, comprometido em resolver os problemas da cidade. Isso precisa ser feito o quanto antes”.

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