Missa na Catedral retoma atividades nas igrejas do Rio: entre espíritas e judeus, recomendação é ter cautela

Desde março sem missas presenciais, as igrejas católicas do Rio reabrem neste sábado, mas a participação dos fiéis será reduzida a 1/3 a fim de evitar aglomeração. Na Catedral Metropolitana, no Centro, o controle será feito por um sensor que vai fazer a contagem do público e emitirá um alarme assim que atingir a capacidade máxima de pessoas sentadas, reduzida de cinco mil para 1,5 mil.

Essa é apenas uma das muitas novidades que incluem o agendamento da ida à igreja pela internet, o uso de máscaras de proteção facial e o distanciamento de dois metros entre as pessoas, entre outras medidas. As atividades religiosas estão permitidas no Rio desde o dia 9 de junho, quando uma decisão do presidente do Tribunal de Justiça, Claudio de Mello Tavares, suspendeu a liminar que proibia a retomada.

O cardeal-arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta, vai celebrar neste sábado, às 9h, uma missa na Catedral Metropolitana do Rio, abrindo oficialmente as atividades com público nas 280 igrejas da Arquidiocese. Só poderão participar da celebração os fiéis inscritos por meio do aplicativo Igrejas-ArqRio, a não ser que a capacidade máxima permitida do templo não tenha sido completada antecipadamente. A recomendação é para que idosos e integrantes de grupos de riscos continuem assistindo às missas somente pela internet — essas pessoas poderão usar o app para solicitar a comunhão em casa e agendar confissões.

— Essa volta (das atividades religiosas presenciais) traz muita alegria e esperança. Mas os fiéis não podem deixar de ter cuidado consigo mesmos e com os outros. É um momento de alegria, mas é preciso que seja uma reabertura consciente — argumenta o padre Cláudio Santos, pároco da Catedral.

As regras básicas para a reabertura das igrejas incluem obrigatoriedade do uso de máscaras por padres e fiéis, higienização completa dos locais antes de cada missa e folhetos litúrgicos somente digitais.

Com exceção de algumas denominações evangélicas, que estão retomando os cultos presenciais aos poucos — como a Assembleia de Deus de Bonsucesso — e, agora, da Igreja Católica, praticantes de outras crenças têm adotado a cautela ao tratar do assunto. Lideranças de 28 religiões participaram nesta semana de uma conferência virtual promovida pelo Instituto Expo Religião e decidiram avaliar primeiro como será a experiência católica.

Luzia Lacerda, diretora do instituto, acredita que, além da preocupação com os fiéis, a maioria das outras religiões enfrentarão dificuldades em atender a todas as exigências para a retomada das atividades, o que inclui a higienização completa dos templos, inclusive dos dutos de ar-refrigerado. Para ela, a volta das atividades religiosas só deve acontecer entre a segunda quinzena de julho e o fim do mês.

— A recomendação não é de retomada, mas de cautela. A mortalidade (pela Covid-19) ainda está crescendo. Nosso pedido é para as pessoas se preservarem e continuarem acompanhando as celebrações pela internet — aconselha.

Nas religiões de matriz africana, a recomendação também tem sido de cautela. O babalawo Ivanir dos Santos acredita que ainda não é prudente reabrir os locais de celebração. Ele alerta para o fato de muitos terreiros funcionarem no mesmo endereço em que moram os praticantes, o que aumentaria o risco de contaminação:

— A ampla maioria não vai funcionar, tem muita gente fazendo (as celebrações) pela intenet. A mortalidade ainda está crescendo, e o pedido é para o nosso pessoal se preservar.

Uma nota oficial da União Espírita de Umbanda do Brasil (UEUB) também faz o alerta pela necessidade de preservação da vida. “Em quase 81 anos de história, a UEUB sempre lutou em defesa da vida e da dignidade da pessoa humana. Por essa razão, não encontra sentido em uma suposta urgência em impelir as instituições religiosas a retomarem suas atividades, contrariando as recomendações da Organização Mundial de Saúde”, diz o texto.

O diretor da Federação Israelita do Rio de Janeiro (Fierj), Paulo Maltz, reafirmou que foram passadas orientações para as cerca de 20 sinagogas da cidade, como fornecimento de máscara e álcool em gel, além do pedido para que os frequentadores mantenham distância entre si. Mas ele alertou que a decisão de abrir ou não cabe a cada administração juntamente com o seu respectivo rabino.

Fonte: Jornal Extra

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