MC Carol: ‘achava que devia ter os mesmo direitos dos meninos desde pequena’

MC Carol nasceu para ser percebida. Apesar do rosto ainda de menina, a presença é poderosa. A voz rouca rasga qualquer espaço, seja com os funks sobre a sexualidade feminina, ou com o discurso cada vez mais afiado. Cria do Morro do Preventório, em Niterói, o sucesso de Carol atravessou a Ponte Rio-Niterói e construiu muitas outras pontes, debatendo o racismo, o machismo e a gordofobia. 

“Crescer em comunidade deve ser diferente de crescer fora. Tem o lado de precisar, por faltar muita coisa, pensar de um jeito coletivo e o lado de precisar muito se impor para conseguir ser ouvida, ser respeitada. Sendo mulher, negra e ainda da comunidade era bem difícil. Mas aí dei sorte de ter uma boa criação pelos meus avós. Meu avô sempre me criou pra eu não abaixar a cabeça pra ninguém e sempre quis ser independente. Achava que eu devia ter os mesmos direitos dos meninos que eu andava desde pequena. Queria ser respeitada! Seja na educação ou na base do barraco”, brinca a cantora. “E teve muito barraco!”. 

MC Carol
MC Carol – DIVULGAÇÃO

O funk de Carol faz todo morador de comunidade prestar atenção, porque é, de fato, uma crônica local. Seja das confusões com a vizinhança, como em ‘Minha Vizinha É Louca’ – “Se ela lava a roupa/Eu boto fogo no lixo” -, ou em temas mais sérios e urgentes, como em 100% Feminista, música com Karol Conká – “Eu tinha uns cinco anos, mas já entendia/Que mulher apanha se não fizer comida”. O feminismo e a luta antirracista viraram temas fundamentais da carreira.

“São coisas que nem precisaria ser polêmica ou assunto de debate: racismo é crime, mulheres tem que ser respeitadas e o pobre precisa de mais oportunidade. Eu cresci achando que isso era o certo. Tanto que foi só adulta que me falaram o que era feminismo, que eu era feminista. Eu fiquei surpresa porque notei que era assim desde criança!”, conta Carol.

“A gente tá precisando se impor por coisas básicas, para viver, para ter dignidade. É cansativo… Acho que a palavra principal é respeito. Com respeito, tudo muda. Seja para a comunidade em si, para as pessoas e para a cultura que se faz na comunidade. Acho que do mesmo jeito como não podem fechar os olhos pro funk, não tem como fechar o olho pra gente”.

Fonte: Meia Hora

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