Operação contra milícia que explora comércio em Madureira faz buscas na prefeitura e na Câmara do Rio

A Polícia Civil do RJ iniciou, nesta terça-feira (6), a Operação Brutus, contra uma milícia que explora o comércio de Madureira, na Zona Norte do Rio, mediante extorsões.

Há buscas na prefeitura, na Câmara de Vereadores e na Guarda Municipal do Rio. Um dos alvos é um guarda municipal que, segundo a polícia, trabalhou no gabinete da vereadora Vera Lins (Progressistas), que não é investigada.

O advogado James Walker Júnior, que defende a vereadora Vera Lins, disse que todos no gabinete viram a operação “com grande surpresa”. Segundo Walker Júnior, o guarda municipal suspeito saiu do gabinete há quase dois anos (veja mais abaixo).

A Guarda Municipal informou que vai abrir uma sindicância para apurar a denúncia envolvendo os servidores e se colocou à disposição das autoridades.

Taxas semanais

De acordo com a Delegacia de Crimes contra a Propriedade Imaterial, os milicianos extorquiam dinheiro de camelôs, de lojas e de supermercados da região.

A delegacia identificou, por exemplo, que um shopping pagava R$ 15 mil por semana aos criminosos para conseguir funcionar. Estacionamentos tinham de entregar R$ 2 mil semanais, e camelôs, R$ 1 mil por semana.

Genivaldo Pereira das Neves, o Popeye, é apontado como o chefe da quadrilha. O nome da operação faz referência ao personagem do desenho animado e ao rival dele, Brutus.

A Justiça expediu 43 mandados de busca e apreensão — não há mandados de prisão.

Genivaldo Pereira das Neves, o Popeye — Foto: Reprodução
Genivaldo Pereira das Neves, o Popeye — Foto: Reprodução

Entre os endereços visados, estavam:

  • a Secretaria Municipal de Fazenda, na Prefeitura do Rio;
  • um gabinete da Fiscalização de Controle Urbano, na prefeitura;
  • o gabinete da vereadora Vera Lins (Progressistas), na Câmara Municipal — o alvo é um funcionário dela;
  • a sede da Guarda Municipal em Madureira;
  • Região Administrativa do bairro;
  • Campo do Falcon, área dominada pela milícia e o QG da quadrilha;
  • depósitos.

A delegacia afirma ainda que a milícia de Madureira se uniu a traficantes do Morro da Serrinha e a outro grupo de paramilitares de Campinho para aumentar a força da quadrilha.

Agentes da Polícia Civil fazem operação contra milicianos em Madureira, na Zona Norte do Rio — Foto: Reprodução/ TV Globo
Agentes da Polícia Civil fazem operação contra milicianos em Madureira, na Zona Norte do Rio — Foto: Reprodução

A Operação Brutus é um desdobramento da Operação Esculhambação, em abril de 2019, que atuou no comércio de produtos falsificados na região de Madureira.

Na ocasião, foram apreendidas cinco toneladas de produtos.

Os investigadores identificaram, em Madureira, uma espécie de omissão dos órgãos responsáveis pela organização do espaço público.

O Campo do Falcon

Acesso ao Campo do Falcon, em Oswaldo Cruz, na Zona Norte do Rio — Foto: Reprodução
Acesso ao Campo do Falcon, em Oswaldo Cruz, na Zona Norte do Rio — Foto: Reprodução

A área batizada de Campo do Falcon inclui, além de um campo de futebol, pequenos apartamentos e um estacionamento.

Segundo moradores da região, é frequente a presença de homens fortemente armados ali.

O espaço, doado pelo governo estadual para a construção de uma unidade do Detran, foi tomado por milicianos quando Marcos Falcon, ex-policial e presidente da Portela, assumiu a área.

Falcon foi assassinado por criminosos em setembro de 2016. A polícia investiga se a morte dele foi pela disputa da exploração do comércio de Madureira.

O que dizem os envolvidos

Advogado de Vera Lins, James Walker Júnior afirmou ao G1 que o guarda municipal “não está mais lotado no gabinete há mais de dois anos”.

“Ele é um guarda municipal concursado da prefeitura e que foi requisitado através da Câmara para trabalhar no gabinete. Se ele é o motivo para a investigação no gabinete da vereadora, bastaria enviar um ofício, um pedido, que saberia que ele não trabalha mais lá”, disse.

“Isso é uma violência, que tem muito de gestão política. É uma tentativa de manipulação política por parte da Polícia Civil. Isso é um abuso de autoridade”, emendou.

Em nota, a Guarda Municipal disse estar “à disposição da Polícia Civil para colaborar com as investigações”. “A Guarda abrirá sindicância para apurar a denúncia envolvendo os servidores”, disse.

Fonte: G1

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