Jornal Povo

Caça ao Ecko: investigadores fizeram planta da casa do miliciano e estiveram na região dias antes

Ao longo de seis meses, policiais civis monitoraram os passos de Wellington da Silva Braga, o Ecko, que foi morto no último sábado. Dias antes da operação, os investigadores conseguiram ir até a casa, que fica na comunidade das Três Pontes, em Paciência, na Zona Oeste do Rio, local considerado o reduto do miliciano, e montar a planta da residência — saber como funcionava cada cômodo e como estavam distribuídos — e mapear as possíveis rotas de fuga. E foi por uma dessas saídas que o criminoso tentou fugir.

A Polícia Civil também estudou onde o criminoso ficava até chegar na residência, onde morava a mulher e os filhos, e a quantidade de seguranças e carros que Ecko dispunha.

— Identificamos aquela casa há um mês e meio e conseguimos a rotina dele. Não poderíamos ir à casa quando ele não estivesse. Usamos vários equipamentos de inteligência para ter a certeza de que ele estava lá — disse o secretário da Polícia Civil, o delegado Allan Turnowski.

No último sábado, o delegado Felipe Curi, diretor do Departamento de Polícia Especializada (DGPE), deu detalhes da ação intitulada “Dia dos Namorados”.

— Estávamos hoje (sábado, dia 12) desde o início da madrugada perto do local com quatro equipes concentradas em alguns locais. Estávamos aguardando informações com nossa inteligência se o alvo ia ou não se encontrar com sua esposa por ocasião da data. Tivemos uma confirmação de que ele tinha chegado ao local por volta das 4h. Não tínhamos 100% de certeza, e sim 95%, mas só entraríamos com 100%. Fizemos uma diligência e confirmamos. Tivemos um efetivo muito reduzido, com 20 policiais. Equipes entrando na parte de trás da casa, outros entrando pela frente. Quando o helicóptero sobrevoou, ele tentou fugir justamente por trás. Houve algum confronto, e ele voltou pela frente. As equipes que entraram pela frente literalmente deram de cara com ele, e o neutralizamos — disse o delegado.

Uma farda idêntica às usadas por policiais militares foi encontrada na casa de Ecko. Na roupa, havia a inscrição “Braga”, sobrenome do paramilitar. Investigadores da Polícia Civil acreditam que ele tenha chegado à residência, na manhã de sábado, vestindo o fardamento.

A roupa foi encontrada em um armário da casa por agentes da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), que ficará responsável por apurar a morte de Ecko. Ainda segundo informações da polícia, na região da residência vive toda a família do miliciano. Por isso, ele não andava com seguranças. O criminoso era deixado em pontos específicos, sozinho, e de lá seguia até a casa, vestindo a farda e se passando por policial militar.

A Polícia Civil afirma ter suspeitas de que Wellington da Silva Braga contava com uma rede de proteção de policiais militares, o que também está sob investigação.

Caderno de anotações onde Ecko mantinha o controle de empréstimos com juros
Caderno de anotações onde Ecko mantinha o controle de empréstimos com juros Foto: Reprodução

Moradores obrigados a comprarem cestas básicas e pães da milícia

Além de todas as taxas ilegais de segurança, moradores e comerciantes, que vivem em bairros da Zona Oeste, também são obrigados a consumirem as cestas básicas e até o pão francês distribuídos pela milícia. É o que mostram as anotações encontradas em cadernos na casa do milícia Ecko. O criminoso chegou a investir R$ 100 mil em cestas básicas e R$ 50 mil em pães.

O grupo do miliciano criou um esquema de agiotagem, realizando empréstimos de dinheiro sob juros abusivos. No caderno apreendido, uma anotação de Ecko mostra que os empréstimos chegavam a R$ 50 mil para uma única pessoa.

— A milícia explora as cestas básicas. Esses são itens que eles exploram muito. Assim como gás, transporte alternativo, provedores de internet, invasões de terrenos, etc. A exploração da cesta básica está cada vez mais intensa porque ela gera renda para a milícia. Inclusive, na força-tarefa já desarticulamos vários estabelecimentos, em área de milícia, que comercializa cesta básica — conta o delegado Felipe Curi, do DGPE.

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