O lado infantil e sincero da criança junto de sua religiosidade

Stela Caputo desenvolve trabalhos com crianças de Terreiro a cerca de 25 anos e mostra o valor dessa energia dentro do espaço sagrado.

Yasmin Pereira, aos 3 anos, última ìyàwó iniciada pela falecida Ìyáloriṣá Omindarewa (Foto: Stela Guedes)

Há sempre a dúvida por parte dos adeptos de religião de matriz africana sobre deixar ou não que seus filhos ingressem na religiosidade e, esse afastamento, por algumas vezes, prejudica a ideia de continuidade no Candomblé.

Vendo e vivenciando tais questão, Stela Caputo de Lógún aproveitou-se da acadêmica para dar uma outra ótica ao fato e, desde 1992, realiza pesquisas voltadas para crianças de Terreiro. Nesse período, publicou o Livro Educação nos Terreiros e como a escola se relaciona com a criança de Candomblé e, hoje, já pela Editora Ọmọdé, lançou um livro de pensamentos infanto juvenis chamado Os meninos João Cândido.

Hoje as universidades públicas têm aberto cada vez mais espaço para a cultura africana e na UERJ, onde Stela Guedes é professora do Programa de Pós-graduação em Educação, a mesma coordena o Grupo de Pesquisa do Proped UERJ Kékeré (Pequeno em Yorùbá) e nos passou a sua visão sobre a introdução da criança na religião.

Stela Guedes e Tauana dos Santos comemorando 25 anos de pesquisa (Imagem: Arquivo pessoal)

As crianças participam do candomblé muitas vezes desde o ventre. Nascem nos terreiros e os terreiros fazem parte dela. Elas vivem ali e aprendem e ensinam conhecimentos ancestrais como a língua iorubá, por exemplo. Aprendem e ensinam danças de deuses trazidos de algumas regiões do continente africano e reinventadas aqui. As crianças são muito importantes nas casas de santo e invertem nossa lógica adultocêntrica de sociedade e educação. Explicou a professora.

Outro tema muito abordado pelos pais é sobre os filhos estarem perdendo sua infância em prol de um compromisso tão grande. Nesse momento Stela Guedes falou como Dofonitinha de Lógún, lembrando de todo carinho e atenção que os pequenos e pequenas recebem dentro de um espaço sagrado. Ainda completou dizendo que o Candomblé deles é o de hoje e, não, o do futuro.

Lógico que não. O candomblé é uma cultura viva ligada à natureza. As crianças gostam do que vivem. São respeitadas, cuidadas e admiradas. As crianças são o hoje! São importantes e ativas hoje no candomblé. Também são o futuro, mas essa lógica do “vir a ser” não é o único modo como a infância é vista nos terreiros. Hoje as crianças são e amanhã…também. Concluiu seu pensamento, Stela Guedes de Lógún.

A liberdade de escolha com relação a fé de cada ser humano deve existir, mas o elo familiar religioso é muito importante para os primeiro passos do cidadão que iremos formar.

Contato Bàbá Joaquim D’Ògún

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