Coronavírus: PM do Rio muda policiamento para evitar saques em bancos e mercados

RIO – A Polícia Militar do Rio mudou o policiamento em todo o estado por conta da pandemia de coronavírus. Desde o último dia 23, o comando da corporação determinou que todos unidades operacionais da corporação façam comboios em áreas com concentração de supermercados e bancos para evitar saques e arrombamentos. A ordem vale até o dia 13 abril, novo prazo dado pelo governador Wilson Witzel para a medidas restritivas de circulação no estado.

O Jornal Povo teve acesso a ordens de policiamento — documentos internos em que o comandante orienta seus subordinados — de cinco batalhões: dois da capital, um da Baixada Fluminense e outros dois do interior. Em todos, agentes que fazem patrulhamento de trânsito (em carros e em motos), rondas por escolas e bancos e patrulhamento ostensivo em picapes foram reorientados a se juntar em grandes comboios para circular em áreas com estabelecimentos comerciais 24 horas por dia. O novo modelo, segundo um dos documentos, tem como objetivo “impedir atos de vandalismo, bem como a prática de crimes contra o patrimônio, dando atenção a estabelecimentos comerciais”.

Cada unidade fez um mapeamento de supermercados e bancos existentes em suas áreas. Na região patrulhada pelo 41º BPM (Irajá), por exemplo, os 25 mercados ou depósitos foram divididos em duas áreas de patrulhamento. Cada uma delas será atendida por um comboio de pelo menos 12 agentes em carros e motos.

PMs passaram a agir em comboios
PMs passaram a agir em comboios Foto: Divulgação PM

O patrulhamento também será feito em mercados e bancos fechados. Os PMs da unidade também foram orientados a “atentar para estabelecimentos próximos a comunidades”. Além de pistolas e fuzis, os agentes vão circular com armamento não-letal — granadas de luz e som e balas de borracha.

Policiais foram orientados sobre como se portar diante de “aglomerações de pessoas”: “o policial militar poderá fotografar e filmar todos aqueles que descumprirem” o decreto de Witzel, que determinou a prorrogação das medidas restritivas. Segundo a determinação, o material vai “instruir ato de comunicação ao MP, sem prejuízo da instauração de procedimento investigatório para apurar ocorrência de crime e infração administrativa”.

O documento também orienta os agentes que “não cabe à Polícia Militar determinar o fechamento ou abertura compulsório de estabelecimentos comerciais, exceto em apoio a Órgão Municipal, Vigilância Sanitária ou por determinação do Poder Judiciário”.

Ficaram de fora da orientação PMs que integram a Patrulha Maria da Penha, especializada em casos de violência contra a mulher, e os Grupamentos de Ações Táticas (GAT), que seguem responsáveis por reprimir tráfico de drogas e roubos de cargas.

Procurada pelo Jornal Povo, a PM alegou que “todas as suas ações operacionais — sejam elas para áreas comerciais ou em comunidades carentes — são planejadas a partir de dados colhidos e processados pelo setor de inteligência da corporação”.

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