Lava-Jato: O que une a operação que afastou Witzel e a que prendeu Cabral

RIO –  Ao classificar a operação contra o governador Wilson Witzel e seus aliados como uma versão atualizada da “Calicute”, a força-tarefa da Lava Jato no Rio viu pelo menos quatro pontos em comum entre as duas ações. A principal semelhança foi o uso do escritório de advocacia da primeira-dama, Helena Witzel, para lavar o dinheiro público desviado pelos envolvidos. A manobra repetiu o esquema de Cabral com a então primeira-dama fluminense, Adriana Ancelmo, que emitia notas fiscais de serviços não prestados para esquentar propina paga pelos empresários favorecidos pelo governador.

Mas as coincidências não param por aí. As investigações também descobriram que, a exemplo de Cabral, os aliados de Witzel usaram doleiros do Uruguai para movimentar os recursos do esquema. O sistema também envolveu cofres e viaturas de uma transportadora de valores, a Fenixx, para guardar o dinheiro, repetindo mais uma vez o grupo de Cabral, que recorria aos serviços da transportadora TransExpert, evitando com isso que o dinheiro passasse pelo sistema bancário oficial.

Por fim, a quarta semelhança foi operar apenas com dinheiro em espécie, fornecido pelos doleiros na tentativa de não deixar rastros.

Ao contrário de Adriana Ancelmo, contudo, Helena Witzel tinha uma discreta e recente atuação da advocacia. Os investigadores concluíram que ela tinha casos praticamente inexpressivos antes de ver o marido tomar posse, em janeiro de 2019. Em seguida, quatro contratos com empresas ligadas a Mario Peixoto (três) e Gothardo Lopes Neto (um), ex-prefeito de Volta Redonda, passaram a render à primeira-dama R$ 60 mil mensais.

As revelações da operação Tris in idem são um desdobramento de outras duas ações da força-tarefa deflagradas há três meses: a Favorito, que prendeu o empresário Mário Peixoto, um dos cabeças do esquema; e a Placebo, 12 dias depois, chegando às casas de Witzel e do ex-secretário estadual de Saúde Edmar Santos, investigados por desvios de dinheiro público destinado à montagem de seis  hospitais de campanha do estado para o tratamento da Covid-19.

Para chegar até Mário Peixoto, a força-tarefa seguiu o rastro de corrupção já desvendado em outras duas operações  de 2017:  a Quinto do Ouro, responsável pelo afastamento de conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE),   e  a Cadeia Velha, que mirou deputados estaduais, entre eles o ex-presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), Jorge Picciani. Ambas, por sua vez, desdobramentos da Calicute.

PGR vê mesmo modus operandi

A Procuradoria-Geral da República (PGR) confirma as semelhanças entre o esquemas do ex e o do atual governador.

“As tarefas que, sob a gestão de Sérgio Cabral, ficavam a cargo de Luiz Pezão, Wilson Carlos e Affondo Monnerat – respectivamente, vice-governador, secretário de governo e chefe de gabinete – hoje, na gestão Wilson Witzel, são desempenhadas por Cláudio Castro, vice-governador, André Moura, secretário da Casa Civil, e Cleiton Rodrigues”.

Em nota, o governador em exercício do estado do Rio, Cláudio Castro, lamenta os acontecimentos na manhã desta sexta-feira (28/08) e ressalta estar com consciência tranquila e totalmente à disposição para colaborar com as investigações. Em nota, diz confiar na Justiça e na garantia ao amplo direito de defesa a todos os envolvidos para que os fatos possam ser devidamente esclarecidos para sociedade.

Já o secretário de Estado da Casa Civil do Rio Janeiro, André Moura, nega qualquer envolvimento com os fatos alegados pelo MPF, que dizem respeito a “esquema de desvio de dinheiro”. Em nota, diz que a ação de busca e apreensão ocorrida na manhã desta sexta-feira (28), em sua residência, em Sergipe, nada de interesse da investigação foi encontrado.


A estrutura do esquema

Fonte: O Globo

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