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Vaga na Libertadores, torcida, base… Os desafios de Marcão em nova passagem pelo Fluminense

Pouco mais de um ano depois, a história se repete. Marcão foi mais uma vez o escolhido do Fluminense para comandar o time na parte final de uma temporada. Auxiliar técnico permanente e até então treinador do time sub-23, ele substituirá Odair Hellmann, que deixou o clube para assumir o Al Wasl, dos Emirados Árabes Unidos, e será apresentado em entrevista coletiva nesta quarta-feira.

Esta será sua terceira passagem pelo profissional do clube e, diferentemente de 2019, quando entrou no cargo com a pressão de fugir do rebaixamento, desta vez Marcão terá um clima mais favorável. E se a quantidade de jogos até o fim do campeonato é semelhante à que teve no ano anterior, os objetivos agora são maiores. O desafio que o ex-volante terá nesta nova jornada: o principal deles é garantir o time, atualmente em 5º lugar no Brasileiro, na Copa Libertadores.

Mais do que não representar custos adicionais por ser uma solução caseira, a escolha de Marcão por Mário Bittencourt e Paulo Angioni dá-se pela confiança no técnico pelo trabalho apresentado em 2019. Na ocasião, ele assumiu um grupo abalado com a turbulenta passagem de Oswaldo de Oliveira e a uma posição do Z-4 (16º colocado com 19 pontos, mesma pontuação de Cruzeiro e CSA). Em 17 jogos, fez 27 pontos, livrou o Flu do rebaixamento e, em 14º, ainda beliscou vaga na Sul-Americana.

Missão Libertadores

Desta vez, o cenário é diferente. Marcão pega a equipe na 5ª colocação com 39 pontos (aproveitamento de 54%) na zona de classificação para a Pré-Libertadores. A missão é garantir uma vaga na competição continental. Restam 14 jogos. Caso o time alcance o mesmo aproveitamento sobe seu comando em 2019 (53%), marcará 22 pontos, dando um total de 61.

Qual lugar terminaria o Flu se fizesse 61 pontos?

EdiçãoPosiçãoEdiçãoPosição
Brasileiro 20197º lugarBrasileirão 20125º lugar
Brasileiro 20186º lugarBrasileirão 20114º lugar
Brasileiro 20175º lugarBrasileirão 20105º lugar
Brasileiro 20165º lugarBrasileirão 20096º lugar
Brasileiro 20155º lugarBrasileirão 20086º lugar
Brasileiro 20146º lugarBrasileirão 20073º lugar
Brasileiro 20134º lugarBrasileirão 20065º lugar

Esta pontuação representaria um lugar no G-7 em todas as edições do Brasileiro de pontos corridos com 20 clubes (2006 para cá). A pior colocação seria um 7º lugar em 2019 e a melhor, um 3º em 2007. Lembrando que este ano, os seis primeiros se classificam para a Libertadores, mas o G-6 pode virar até G-8, caso um destes classificados vença a Copa do Brasil e a própria competição continental.

Marcão levou o Fluminense à Sul-Americana em 2019 — Foto: Mailson Santana / FFC
Marcão levou o Fluminense à Sul-Americana em 2019 — Foto: Mailson Santana / FFC

Gestão de vestiário

Outra missão confiada a Marcão é manter o bom clima no elenco, administrando medalhões e jovens promessas. Diferentemente do que encontrou em 2019, o treinador agora pega um ambiente mais leve, graças à boa gestão de vestiário de Odair. Carismático e tranquilo, o ex-volante é conhecido por ser bom de grupo, o que inclusive foi um de seus méritos no ano passado.

Marcão e Gegê com Igor Julião, Caio Paulista, Marcos Paulo, Digão e Pablo Dyego — Foto: Lucas Merçon / FFC
Marcão e Gegê com Igor Julião, Caio Paulista, Marcos Paulo, Digão e Pablo Dyego — Foto: Lucas Merçon / FFC

O fato de já conhecer e ter boa relação com o elenco, por ter trabalhado com parte dos jogadores em 2019 e ter sido auxiliar, é um facilitador. Mas ele vai encontrar algumas situações diferentes do ano passado. Por exemplo: dois dos medalhões, Ganso era titular e Nenê reserva, situação que se inverteu em 2020. Muriel também assumiu a posição no gol, mas vem sendo alvo de críticas nesta temporada, enquanto Marcos Felipe cresceu. Odair sabia lidar bem nos bastidores para evitar vaidades.

Consistência defensiva

É inegável que, além de ter encontrar soluções para reformular constantemente o time devido aos desfalques e perda de jogadores, o grande mérito de Odair foi formar uma equipe bastante organizada defensivamente. O Fluminense tem a sexta melhor defesa do Brasileirão, com 26 gols sofridos em 24 jogos, e tem na zaga o setor mais consistente, seja com Luccas Claro, Nino, Digão ou Ferraz. Marcão terá o desafio de manter essa essa solidez.

Ao mesmo tempo, tem o desafio de aumentar o volume ofensivo, ponto muito criticado durante a “Era Odair”. Apesar de também estar em sexto no quesito ataque, o time não criava tantas oportunidades – compensava com um bom aproveitamento das chances criadas. Nos cinco jogos até aqui pelo returno do campeonato, somente contra o Athletico-PR a equipe conseguiu criar várias chances de gol. Houve partidas em que mesmo ganhando (como contra o Inter) o ataque foi contestado.

Nos 17 jogos que Marcão comandou na reta final do Brasileirão 2019, o Flu fez 16 gols e levou 13, média pior de gols marcados e melhor de gols sofridos em comparação aos números atuais.

Utilização da base

Outra missão de Marcão é aproveitar bem os jovens jogadores. Por ter uma das melhores bases do Brasil e por passar por dificuldades financeiras, o Fluminense recorreu bastante aos Moleques de Xerém este ano, ainda mais em razão dos diversos desfalques por Covid-19 e lesões. É o segundo time do Brasileiro que mais usou jogadores formados em casa.

Marcão orienta jogadores do Sub-23 do Fluminense — Foto: Mailson Santana / FFC
Marcão orienta jogadores do Sub-23 do Fluminense — Foto: Mailson Santana / FFC

Odair chegou credenciado pelo trabalho que fez na base do Inter, no Fluminense acompanhava jogos de diversas categorias na base e usou muitos jovens no profissional. Mas em alguns casos preferiu dar espaço aos veteranos do elenco. Marcão trabalhou de perto com muitos garotos no sub-23. Será interessante ver se seguirá a mesma linha do antecessor ou montará um time ainda mais jovem.

Relação com torcida

A chegada de Marcão pode também apaziguar os ânimos e melhorar o clima com relação à torcida, que estava dividida com seu antecessor. Com longa história do clube como jogador e sempre à disposição para ajudar como treinador, o ex-volante, considerado por muitos como ídolo, tem grande identificação com os tricolores. Sua escolha teve boa recepção no “termômetro” das redes sociais.

Marcão é tietado por torcedores do Fluminense em partida em Maceió em 2019 — Foto: Mailson Santana / FFC
Marcão é tietado por torcedores do Fluminense em partida em Maceió em 2019 — Foto: Mailson Santana / FFC

Apesar da boa campanha no Brasileiro, Odair nunca foi unanimidade entre os torcedores. Elogiado por muitos pelos resultados, encontrava resistência de parte da torcida pelas eliminações precoces na Copa Sul-Americana e na Copa do Brasil e pela ruptura com o futebol implementado por Fernando Diniz. Seu desabafo contra as críticas no que foi sua última entrevista coletiva pelo Fluminense deu um panorama da tensa relação que teve em sua passagem.

Fonte: Ge

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