Jornal Povo

Tráfico supera milícia no domínio territorial do Grande Rio

Comando Vermelho controla 52% do contingente territorial no Grande Rio

Mapa mostra domínio territorial do CV, TCP, ADA e das milícias.
Foto – Divulgação

Nesta segunda-feira (15), foi verificado que o domínio de facções na área do Grande Rio dobrou, com o crescimento de 105,73% nos últimos 16 anos. Além disso, em 2023, o Comando Vermelho passou a milícia e se tornou a organização criminosa que controla mais localidades na região. O levantamento foi realizado pelo Instituto Fogo Cruzado com o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos, da Universidade Federal Fluminense (Geni-UFF).

Segundo a pesquisa, 52% da área ocupada pela criminalidade no Grande Rio estavam sob o controle do Comando Vermelho (CV), no ano passado. Enquanto as milícias, o Terceiro Comando Puro (TCP) e o Amigos dos Amigos (ADA) tiveram redução nas suas áreas de domínio.

Há mais de quatro décadas, grande parte da Região Metropolitana do Rio é comandada por grupos armados. De 2008 até 2021, por exemplo, as milícias cresceram quase 400% e passaram a dominar o Rio. Já entre 2022 e 2023, a situação mudou e o CV assumiu o posto de grupo armado com mais territórios.

A retomada do CV foi impulsionada pelo crescimento na Baixada Fluminense e no Leste Metropolitano, que somaram 85% das áreas conquistadas pela facção em 2023. Enquanto as milícias acumularam as maiores perdas na Baixada, seguida da Capital, e principalmente na Zona Oeste.

“A série histórica mostra o crescimento consistente das milícias até 2021. Isso muda em 2022, quando o CV volta a crescer por dois anos consecutivos. Nos dois casos, enquanto não houver política pública voltada para a desarticulação efetiva das redes econômicas que sustentam os grupos armados e para a proteção de funcionários públicos que prestam serviços essenciais em todos os bairros do Grande Rio, conviveremos com essa oscilação onde num ano a milícia cresce mais e noutro o CV lidera”, disse a diretora de dados e transparência do Instituto Fogo Cruzado, Maria Isabel Couto.

Em números, no ano passado, dos 466,65 km² de área do Grande Rio dominadas por algum grupo armado, 38,9% estavam sob o domínio das milícias, 7,7% do TCP, 0,8% da ADA, e 51,9%, sob o domínio do CV. Com isso, em 2023, o CV retomou a liderança de área total sob o seu domínio (242,21 km²), que havia sido perdida em 2021 para as milícias.